recomeça o futuro sem esquecer o passado

17 de outubro de 2021

#aniversario


que as há, há

Seja Outono, Primavera, Inverno ou Verão, há sempre quem valorize as coisas da vida só após a ter perdido; há quem acumule ódio até ao momento de explodir e ficar um vazio à sua volta; há quem sonhe e viva esse sonho e só entre na realidade quando o delírio se sobrepõe ao plausível; há tanto quem minta que até a realidade estremece; há quem viva do fracasso que até nem se lembra de mudar.
O estado de espírito é lixado. Há pessoas que até nos fazem ver que a saudade é um paraíso e que há os que são virgens no pensamento e se imaginam os reis da humanidade.
Seja Outono ou Inverno há pessoas que se afogam nas suas lágrimas.

Sanzalando

#comida


16 de outubro de 2021

antigamente passado

Hoje me apeteceu sentar no degrau da escada do tribunal a olhar a Avenida da Praia do Bonfim. Assim só largar os olhos sem ver nada a ao mesmo tempo ver toda a vida que passou. Porquê nestas escadas? Só porque é cómodo e a a vista é longa e se sente o perfume do mar que está ali do outro lado da falésia. 
Será que eu escrevi o meu nome num tronco de árvore com um coração como fazem nos filmes americanos? Será que essa árvore existirá ainda? Não, nunca escrevi o meu nome num tronco e nunca desenhei coração para lá da minha sebenta de capa encarnada. Nunca deixei vestígios de amor perdidos na natureza. Mesmo nos meus tempos de adolescente em que me prometia amor eterno eu ia deixar assim uma marca para a eternidade. Ela me teria suicidado se soubesse eu tinha feito tal coisa. Amar eternamente vá lá que não vá, agora deixar isso gravado num tronco de árvore é que já é um abuso. 
Mas deixemos para lá a paixão por quem morri tantas vezes que já nem sei quantas mortes eu tive.
No Sporting fui jogar bilhar embora lá eles gostem mais de snooker. Mesa com buracos não é o meu forte pelo que não me atrevo a desafiar ninguém. Fico só mesmo no bilhar livre a dar uma tacadas. A memória me diz que eu jogava muito para a minha idade mas a pressão nos Magriços era muita pelo que eu não gostava de estar ali. Eu era mais Aero-Clube, mais calmo e menos barulho. Até aqui sentado na escadaria eu sinto um arrepio só de pensar nesse poiso de gente variada e barulhenta. Desisto deste devaneio. Vou ver os cartazes do Impala, vou saborear uma cuca no bar do cinema, com uns tremoços. Logo. logo haverá cinema e eu venho se ela quiser. Lá me foge o pensamento para a paixão. Salta-te.
As gazelas ali estão bronzeadas a olhar o mesmo que eu. O repuxo hoje funciona embora ainda sem luzes ligadas. É linda esta vista desde aqui avenida abaixo. Quem é que estará na Minhota? e no Café Avenida? e no Quiosque do Faustino? 
Acho mesmo ficar só aqui sentado a desanuviar pensamentos e palavras vadias do que aprofundar memórias que vão sempre bater na saudade do tempo em que eu já era feliz e não dava valor.


Sanzalando

14 de outubro de 2021

palavras

Através das minha palavras, escritas ou faladas, eu transmito os sentidos do meu coração. Às vezes ele pode parecer um mar em chamas outras uma planície bailando ao sabor da brisa. Às vezes podem parecer silêncios, outras gritos de revolta. As minhas palavras, sempre soltas, despegadas de mim, transitam ao vento e não sei onde chegam. 
Será que a distância apaga o som das minhas palavras?
Lá, no outro lado da linha horizontal que pode parecer uma recta mas que é uma curva, ouvir-se-á o som de cada silaba que eu disser? Não tenho duvidas. São apenas questões dialéticas que merecem um segundo de mim. 
Nas minhas palavras já fui tanta coisa e acho nunca fui nada parecido com um trapezista se mostrando nos céus reais da imaginação. Todas as minhas palavras, mesmo as silenciadas por ventos fortes ou tempestades de ira, têm sempre um significado para mim, mesmo que possa parecer um erro de programação, de direcção ou de dicção.


Sanzalando

13 de outubro de 2021

escrevo quem sou

Quem lê ou não o que escrevo por estas bandas do blog? Não é factor que me importe, que mexa comigo ou simplesmente me preocupa. Iniciei-me porque gosto de escrever e nos idos anos de 2003 apareceu esta plataforma, blogspot, e publiquei. Com irregularidades temporais mas muita frequência. Bom ou mão? Sei lá. Escrevo porque gosto e sei que um dia eu vou aprender a escrever. 
Neste momento acho que o facto de escrever é como que um refúgio de mim, a abertura de um espaço meu que de outra forma estaria escondida, mutilada porque inclusa na minha essência. O que rabisco não é nenhum tratado de salvação da espécie humana, uma tese de defesa mundial, uma ode sombria sobre a vida ou um poema de alegria. Escrevo o meu estar e sentir. Eu. Sou nostalgia de futuro com passado onde alicercei o que sou. Sou muito do que escrevo e o que escrevo pouco ou nada é a minha transparência. Análise. Psicanálise. Analítico e sintético, subjectivo e conclusivo. Nada em tudo. Estes meus textos são um pouco da casa onde moro, da rua que passeio, das pessoas que me rodeiam. As minhas letras escritas deixaram de sem minhas e tomaram assas para voarem, se tiverem espaço para o fazer.
Temo um dia não saber escrever, o que escrever, como escrever.



Sanzalando

12 de outubro de 2021

é a vida

Quantas vezes me apeteceu dar de asas e voar? Ir por aí num não sei onde, olhar para um não sei quê e saborear um não sei quantos?
Quantas vezes fiquei em silêncio apetecendo-me gritar? Quantas vezes gritei quando devia ficar calado? Quantas vezes me perguntei o que era a vida? É isto! Não existe outra resposta. Altos e baixos, pensamentos positivos e negativos, curvas e rectas, sabores agradáveis e outros indesejáveis. 
É a vida! 
Quantas vezes pensei em sofrer contigo do que alegrar-me sozinho?
Quantas vezes pensei errado e agi certo? E ao contrário? 
É a vida!
Quantas vezes me apeteceu dar um abraço antes de me soltar por aí?
Quantas vezes pensei que o tempo ajuda a apagar as dores e não a curá-las?
É a vida!
É bem mais simples simplificando-a, alegrando-a sorrindo.

Sanzalando

11 de outubro de 2021

a vida

Deixo correr o tempo já que eu não tenho vontade de o fazer. Este sol outonal faz-me assim um misto de sorna com uma desàvontade de fazer o que quer que seja. Penso para não dizer que não faço nada. Seria pecado gastar tempo assim, desvivendo-me. Já tomei, faz tempo uma decisão, que é não reclamar. Simples e eficaz.
Não vale a pena reclamar, nem com a vida. Só faz ganhar rugas antes da hora essa coisa de embirar e reclamar. Há coisas que posso fazer e outras que não. As que dependem de mim eu penso e ajo. As que dependem dos outros isso é com os outros. Estou que nem vou por aí.
Assim se vive a vida.


Sanzalando

#lugaresincriveis


9 de outubro de 2021

porque é assim

Me deixei só assim embalar no linguajar das crianças que ainda não sabem já são nascidas. Comem, dormem, choram, borram e mijam. Nos intervalos berram e a gente até tem de adivinhar o que é que é ou foi. Mas a gente que já foi assim e não se lembra, fica derretida a ouvir todos os sons, todos os ruídos incluindo, até parece é música, os peidos intestinais.
Elas sorriem e a gente pensa foi de verem a nossa cara bonita. A gente que é até feia fica derretida num sorriso sincero daqueles. O coração da gente até fica com ganas de apertar aquele fragil corpo de criança que nem sabem já nasceram.
E se elas são duas, gémeas, a gente fica a dobrar de emoção e se esquece de querer mais alguma coisa que não apenas aquele momento de escutar e ver. Berrou? Parece é música. Chorou? Parece é canção de embalar adultos e esquecer a fome. 
É divinal o momento, a gente até parece ser mais pequeno que aqueles seres tão pequeninos que a gente tem à frente.


Sanzalando

Rodovalho á Bulhão Pato


7 de outubro de 2021

amor de verão

Melancolia deve ser sinónimo de outono. É assim que eu sinto e é assim que eu falo. Neste outono, passados muitos anos, depois eu vou dizer que queria ter ficado há muitos anos atrás. Na verdade nessa altura o coração mandou mais que a cabeça. Hoje sinto que não pertenço a lugar nenhum. Nem aqui nem lá. Acho virei outra pessoa que não sou eu que era quando tinha aquela idade, nem sou o que seria hoje se tivesse feito outras coisas que não as que fiz. Não uso máscaras nem disfarces, nem me fardo ou desfardo ao sabor do tempo, eu sou assim de corpo e alma e o meu lar é o lugar onde estou. Agora estou aqui, neste canto de mim, rodeado dos que estão à minha volta, como diria se fosse uma verdade de La Palice. 
Acho sou feliz sendo quem sou, vivendo um constante amor de verão.



Sanzalando

6 de outubro de 2021

outonal textinho

Cinzentado sol que nasce cada vez mais lentamente que até parece é preguiça de outono e me ajuda a abrir as portas da minha alma com um grau de melancolia e outro de nostalgia, num complexo de letras rascunhadas com misto de certezas absolutas, palavras frias mescladas com tórridos sentimentos. Outono de estação de vida interligada a estado de espírito, mesclado de retrocessos e avanços tímidos num amadurecer de ideias que se fazem crescer até se soltarem em vida própria.
Eu vou de outono em outono até a um inverno final que espero seja tarde, noite dentro da vida


Sanzalando

5 de outubro de 2021

num feriado

Ensolou mais devagar do que é habitual. Foi tão devagar que nem deu para aquecer como se fosse um dia de verão, embora se olhasse de trás da janela eu ia dizer que sim. Um choro de criança se ouve como barulho de fundo. Deve ser fome, penso eu que já esqueci os truques de ser pai. Outra criança esboça um choro. Percebo que são dois choros diferentes. Ambos se calam ao mesmo tempo o que não deu para mentalmente diferenciar. O que haverá para lá desta janela para além dum sol morno e lento de outono, duas crianças recém nascidas com fome e um madrugar? A minha felicidade, é certamente uma das coisas para cá da janela e para lá há mundo a madrugar

3 de outubro de 2021

#comida


outono

E parece é hoje que ele chegou. Nem me avisou que ia chegar. Esse outono de descontentamento apareceu assim quando acordei duma noite de relaxar corpo e cabeça. Abri a janela e até parece logo a melancolia me entrou corpo a dentro. Foi simultânea a entrada desse outono no meu quarto.
Uma chuva miúda me bateu na cara enquanto a minha face se mascarou de tristeza surpreendida. Estava esperançado de encontrar um dia brilhante, ruas desertas pelo ser manhã cedo dum domingo. Afinal, cinzento céu em rua deserta de molha todos, afectados pelo outono, resguardados nas cama quentes dumo noite ainda de verão.
Não acho lindo essa mudança brusca do tempo e temperamento, da natureza das coisas alteradas assim num ápice que a gente nem tem tempo para se adaptar e mentalizar. 
Vou tatuar o outono na mina alma por uns tempos.


Sanzalando

1 de outubro de 2021

sigo

E o sol se mantem nas alturas aquecendo o meu olhar e eu caminho por ideias soltas e pensamentos vadios. Só assim consigo ser feliz. 
Às vezes não durmo, apetece-me chorar por coisas simples, esquecer a vida passada. perder as inseguranças porém; vendo o sol, os meus passos se enchem de energia e tudo o mais vai para o inferno, como dizia o Roberto Carlos lá na minha adolescência.
Chegado outono de verão permaneço. Sorrindo canções de embalar caminho por mim, feliz.


Sanzalando

#lugaresincriveis