30 de agosto de 2007

palavras light = 0 % de assunto (27)

Me sento por aqui e me recosto num não fazer nada. Me dizem que preciso é descansar e eu lhe faço com sacrifício. Se fosse noutra altura até que eu não ia dizer que não. Mas assim como que em obrigação até custa. Nem parece é descanso. Me apetece mesmo é largar-me por aí e deixar que o tempo leve as minhas tristezas e preocupações, bem como seque as minhas lágrimas.
As más notícias me cercam continuamente e, se elas não chegam, a minha cabeça lhas fabrica como se elas fossem um dever de ser continuado.
Mas eu sei que quando reunir as forças para dar a volta encerrarei esta borbulha de dor e mágoa e enfrentarei o destino como lhe sempre fiz.
Me sento por aqui e vejo o mundo a cair em pedaços, assim parece um cristal depois de cair duns metros de palavras ditas, num reflexo desfigurado. Cada pedaço é um pouco de mim. Falta a paciência para lhes reunir e com cola lhe fazer a reconstrução. Mas com mais ou menos lágrimas, com sorrisos forçados ou gargalhadas vivas num on-line, com suor e dores musculares caminharei pelos sonhos sonhados e ainda não realizados.
Me sento por aqui sabendo que um dia me levantarei e voltarei outra vez, quantas as necessárias, a fazer os caminhos traçados até lhes atingir o fim.
Estou a me habituar à dor, à saudade e às feridas, mas tudo isto um dia não passará de estória contada num dia cinzento da vida.
Jamais serei um condenado ao sofrimento eterno, enquanto tiver a capacidade de recordar os sonhos sonhados.

Sanzalando

5 comentários:

  1. Tenho lido com prazer a sua escrita de Verão, ao som da música.
    Abraço

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  2. "jamais serei um condenado" isso mesmo! Te estou a reconhecer!!!! Finalmente olhando em frente com aquela garra que te aprecio.
    Força companheiro!
    SJB

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  3. Calma aí , meu irmão !
    O que é que se passa contigo ?
    As tuas sábias palavras parecem as mesmas mas ...o sentido delas é que não !...

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  4. Viva Carlos:

    Entretanto o convite mantém-se. Acompanhado ou não, é só meteres-te no carro ou no comboio e vires espairecer até á "Veneza de Portugal".
    Num fim de semana ficas outro... e isso notar-se-á na tua escrita.

    Seria para mim um previlégio poder conversar contigo.

    Bom fim de semana.
    Um abraço,

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  5. É, será mesmo assim, será necessário tanta tristeza. Começo a sentir que sim, que como tudo nesta vida tem também que ser vivida para ficar no seu lugar e a alegria despontar, mas doi tanto. Os caminhos vão-se fazendo, caminhando e nada já é igual ao que era no tempo daquela esplanada mesmo ao lado do Zulmarinho, mas agora também tem mas, já lhe viste o gostinho desta liberdade. Boa noite amigo, apetece-me sentir-te amigo
    estrela

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