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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

24 de maio de 2018

janela de tempo

Olhei na janela e vi o tempo. Havia uma janela de tempo para não fazer nada e eu aproveitei. Enquanto nada fazia o meu pensamento me deixou e foi vagabundar por aí, mesmo à toa, como se fosse barco na deriva. Dessegurei de todo. Fui só a lhe ver como se lhe olhasse de longe. Ele me viu criança a brincar com crianças, a sofrer brincadeiras que hoje eram crimes, a fazer corridas que hoje são perigosas, sobre patins e sem capacetes, cotoveleiras ou raio que fosse. Ele seguiu a adolescência, os cigarros fumados à escondida e depois descaradamente abusando a liberdade da vadiagem. Ele cresceu em grandeza mas percorreu caminhos de subtileza. Eu deixei o pensamento solto na janela livre do tempo e me perdi num sono solto de janela escancarada.


Sanzalando

21 de maio de 2018

e vamos fazer mais o quê

Granizou ontem? E depois vamos fazer mais quê? Rir! Te dói o corpo duma caminhada não preparada? Vamos fazer mais o quê? Rir!
Sabes, conversando eu comigo mesmo que assim não me aborreço e nem aborreço ninguém, existe tempo para a gente rir. Melhor, existe tempo para tudo. Até para conhecer, gostar, ser gostado, dar, receber, tentar, conseguir, ser feliz e sempre para rir. Saltar à corda faz bem. Saltar a corda às vezes também. Rir faz sempre bem. E vamos fazer mais o quê?



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18 de maio de 2018

foi sem querer

Tem o sem querer a maior importância na vida do que a imaginei. Desculpe, foi sem querer.

Magoou? Foi sem querer. Errou, não foi por querer, foi mesmo sem querer. O sem querer está em todo o lugar mesmo no cemitério. Tantos morreram sem querer. 
Desculpem lá. Isto está escrito e foi sem querer.

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14 de maio de 2018

Eu não sou a minha ansiedade

Me olho no espelho de água, deste zulmarinho que hoje virou mansinho parece é lago, tremo de emoção de ver os meus olhos com olhar tranquilo transparentizando pensamentos que não me atormentam nem me naufragiam em ansiedades. Acho o pulso deve estar calmo, sem turbilhões nem vontades de fazerem saltar células nos poros desentupidos pelo calor primaveril.
Me olho sem medo de afastar os meus olhos, sem vontade de atirar palavras ao deus dará, respeitando silêncios profundos que mais não dizem que sentimentos intensos, sem me importar de controlar o ar que respiro numa cadência longe da ansiedade. Sereno, longe de todas as mentais confusões, ponto final de tormentas, desnovelados sentimentos criados em emaranhados sonhos por realizar, consigo pôr-me no pedestal da capacidade de ser feliz, enterrando medos, subterrando criações fantasmagóricos trazidas de anos de crescimento medrosos.
Não preciso ser forte para resistir porque eu não sou a minha ansiedade, eu protejo-me na inteligência da viver todos os momentos com vontade.



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12 de maio de 2018

meditação de Primavera profunda e real

Faz sol e faz vento. Afinal de contas dizem-me que aqui na Europa é mesmo assim. O ano tem estações e nalgumas é mesmo assim, bem definidas. Eu digo por experiência própria que tem dias de 4 estações, quando não tem de mais aimda e não estava a pensar nas estações de serviço que a gente usa em caso de necessidade.
Aproveitando este dia de verdadeira Primavera, bem definida nos compêndios escolares do antigamente sul, estendido na areia junto ao zulmarinho, protegido dos ventos nortes e outros que nem sei de onde sopram mas sinto que sopram velozmente sobre mim, vou-me divagando vagarosamente sobre ideias e conceitos, sobre memórias e imaginações, sobre vivências e suas incongruências.
Uma coisa aprendi ao longo do tempo, que é não ter medo da vida nem de vivê-la. Se tem as 4 estações e mais algumas indefinidas quer dizer que tem tempestades e tem dias de sol, tem noites escuras e noites de luar, tem caminhos que sobem e descem e que levam a algum lugar mesmo que o lugar seja comum. Imagina só eu atleta sempre no pódio ia pensar que ganhar era fácil e ia esquecer as horas de treino, de esforço que ninguém vê, das dores que mais ninguém sente. Não tinha piada não libertar as minhas lágrimas assim como um dia ou outro de chuva. O capim até cresce bem verde depois.
Na vida vi que quando estou fraco tenho tendência de usar a força, que de certeza vai faltar pela fraqueza em que me encontro, e, quando me sinto forte tenho capacidade de pensar e usar a inteligência. Assim, somando o insomável dou que preferi sempre ser forte, mesmo que os ventos cruzados me tendam a rebaixar para a insignificância da fraqueza. Sou um sonhador de ideias que luto por ser assim.


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10 de maio de 2018

1 minuto ou quê

Rebolo na areia como que a me esconder de medos e ansiedades. Aproveito o sol que brilha e o vento que sopra para dar um minuto a mim. Descanso pensamentos como se rebolar fosse uma centrifugação moral. Aparo ideias como se a areia fosse uma lixa me limpando de arestas.
Páro, me sento e olho para o zulmarinho. Descansado. Sacudo-me como se o afastar areia do meu corpo fosse um banho de pureza, afastando-me dos medos e ansiedades em cada grão de areia que me deixa. E tudo foi um minuto que me dei.

8 de maio de 2018

para lá de mim

Aproveito o sol de quem vai chover porém não. Arco-íris não vejo, nuvens muitas salpicadas de abertas para meu contentamento.
A brisa que sopra é a inversa à velocidade que me desloco. O meu raro cabelo não se mexe. Os mosquitos parecem zonzos porém mantêm a mira certeira em mim.
Caminho por aí, a bombordo tenho o zulmarinho e a estibordo a saudade. Olho para a linha recta que é curva, a que me separa do lado de lá da minha imaginação, e me deixo levar por imagens que já não sei se são reias ou só fruto de um filme que inventei na tela da minha memória. Acelero o passo para dizer que o meu coração bate à velocidade com que caminho e não por emoção.
Sombra e sol, nesta maresia que me leva para lá de mim.



Sanzalando

5 de maio de 2018

No zulmarinho deitado

Brilhou o sol me desfiando a entrar no zulmarinho e caminhar destino ao sul. Me travei nos intentos e me sentei na areia das mil cores a ver os pensamentos passarem com se estivessem a passar modelos. Vagabundei a ideia, insultei-me de pecados verbais. Deixei-me ficar sentado, transpirei de raiva contida, comi moamba picante, quitetas acabadas de abrir e a barriga continuava vazia. Era so tudo pensamento, nao tinha hidratos nem substancia.
Acordei e parecia croquete de areia.

3 de maio de 2018

ao deus dará

Hoje o sol brilha envergonhado. Assim, agarro no meu corpo e vou por aí ao deus dará, à sombra ou ao sol, diferença quase não há. Vou ver o mar. Vou ver as areias dunais. Vou por aí que aqui não me apetece ficar. Este aqui é vago. Cómodo e seguro, calmo e sereno. Mas para que quero isto se amanhã não sei se o sol nascerá? Por isso vou por aí. Um dia vá para lá. Não é hoje. Feliz ou infelizmente, incerteza própria da dúvida constante. Mas hoje não fico aqui porque o sol, embora envergonhado, brilha. 
Se eu pudesse suspender o pensamento, assim fazer uma pausa, paragem, eu ia para um lugar do lado do poente, mais perto de ver o sul, sem barreiras, sem muros, sem entraves de qualquer especie. Ia por ir, como hoje vou, ao deus dará.

Sanzalando

1 de maio de 2018

Retrato primaveril

Não me levem a mal, comigo é tudo meio sem querer, meio sem jeito e meio feito. Não tenho a intenção de estar distante, nem presente, nem conscientemente  neutro. Quando me apercebo já estou longe, há muito tempo sem saber quem sou, para onde vou e muito menos o que faço aqui no meio das letras primaveris. Sou assim desde criança e aprimorei-me com a idade. Chinelos e balalaica, joelhos esfolados e eis-me feliz ao sol.

29 de abril de 2018

prima bera

É Primavera de nuvens baixas e aguas mil não fosse Abril. O tempo não tem pressa de me mostrar as estrelas à noite num jardim, de me deixar ver as flores que plantei para ti brilharem à luz do sol no dia a dia de cada um. É na Primavera que arranjo coragem para as coisas simples da vida, para aprimorar o sorriso e aprender estórias novas para contar noutras estações. Assim vou fazer mais como? Vou-lhe chmar apenas de prima bera.


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27 de abril de 2018

primavera todos os dias

Brilha o sol nas janelas viradas para sul. Brilha o zulmarinho, Brilham os meus olhos. Sou eu a saborear a Primavera como que a rejuvenescer em mim.
Eu sei que tudo acontece por uma razão mesmo que a razão não me seja conhecida. As pessoas mudam para que eu possa viver sem elas, eu mudo para que o erro não seja repetível, eu saboreio quando as coisas dão certo e me brilham os olhos quando olho amor. Não acredito na mentira, não recomendo o erro e detesto a desconfiança. E às vezes tudo se desmorona e tudo se recomeça. 
O meu dia recomeça todas as manhãs e todos os dias tentam ser Primavera mesmo que o coração tenha quatro cavidades, as estações sejam quatro e eu já tenha passado dos 2/4 de século faz tempo. Todos os dias é dia de colocar no lugar o que foi tombado, o que foi desarrumado.
Todos os dia é Primavera


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24 de abril de 2018

o próprio tempo muda

Faça sol ou faça chuva, eu acredito que a gente muda. Uns para pior e outros para melhor. Ninguém fica igual nem indiferente. Não há forma da gente passar a vida sendo sempre a mesma pessoa. O tempo, a experiência, o sabor e dissabor, o amor e desamor, a transcendência e a ausência, a luz e a escuridão, a vontade e a inércia, quer nesta ordem ou noutra ordem qualquer, mexem com a gente e o nosso papel, que à nascença está em branco, vai sendo riscado, retalhado, queimado e assim nós nos vamos tatuando na alma uma personalidade, uma personagem que entra na engrenagem e se avaria não há embraiagem que ponha num ponto morto de começar de novo sem arranhões e outras conclusões.
Eu acredito que a gente muda mesmo sem plano definido. 
O próprio tempo muda.


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18 de abril de 2018

meditação primaveril

Hoje o vento não acordou e o meu cabelo penteado nem sai do seu estar alinhado. O zulmarinho parece é chão que apetece pisar até lá longe onde nem a vista alcança. Eu aqui medito, sentado, costas direitas e respirando um certo sabor a sal. Até parece que a Primavera acabou por chegar com saudade tropical. Não, não me vou analisar nem desmascarar o meu ponto mais frágil. Cimento-me nas marcas que a vida me deixou e grito as minhas exigências como se fossem fatias de fuba seca, gomos de laranja descascada a dedo ou metade da banana partida à mão. Medito envolvido nos meus modos na perfeição quase perfeita de amor feito.
Medito saboreando a Primavera quando lá, o Bero corre para o mar, feroz, derrubando obstáculos como se fossem frágeis ideias.


Sanzalando

15 de abril de 2018

até parecer primavera

Olha só o sol a se espreitar de trás das nuvens a quer espiolhar o que estou a fazer. Tá aqui me está a dizer que por detrás das nuvens não existe mundos nem estrelas. Olha que até parece é timidez. Vergonha é não brilhar com a alegria primaveril que devia ser nesta hora do ano.
Vou fazer mais o quê com este tempo?
Gastar palavras? Degustar ideias escritas? Baralhar cartas de amor?
Acho mesmo vou apenasmente fechar os olhos e pensar o sol brilha que até parece Primavera e as sombras  nublosas são música de embalar.

Sanzalando

13 de abril de 2018

Beijo

Um beijo, uma carícia, uma ternura. Um brilho de sol a reflectir no vidro duma janela como a ver por onde ando. É já andei por tanto lado que não sei se me perdi ou ainda sigo o caminho que me foi desenhado nas estrelas. Soprador de brisas e vertedouro de birras, cruzamento de palavras e trocador de abraços, recordador de sonhos acordado. Qual o meu caminho? Um beijo e terei a resposta.

11 de abril de 2018

gostar de tanto gostar,

Sol de Primavera parece perdeu o brilho. Deixou a luz se abafar na neblina, perdeu calor através da humidade e de vez em quando cai água parece dilúvio. Desabituei-me das manhãs de cacimbo, dos três dias de chuva, dos ventos de areia e do sol quente nos intervalos. E é assim que eu fico embirrento, implico, dou recado no olhar e viro costas à vontade de ficar calado, grito chega ou me afasto do respirar alheio. É assim na imaginação de quem está sentado a ver as palavras saírem com vida própria e vontade alheia. Na realidade eu brinco, riu-me, dou saltos e piruetas à espera que termine o dia cansativo e eu me deite no teu colo com vontade de sonhar.
Vou fazer mais o quê com o meu passado, presente e futuro? Me atiro de cabeça ao gostar de tanto gostar.


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7 de abril de 2018

eu sou-me único

Sabendo que ninguém é tão importante quanto pensa ou se imagina, me deixo levar, pelo vento primaveril que sopra em fim de tarde, como se fosse uma folha de papel escrita num para eu mesmo me ler e me recordar. A importância é relativa como relativo é o tempo que eu penso nisso. Mas eu sou especial. Nem que seja apenasmente para mim. Eu sei que já o fui para a minha mãe. Todas as mães têm essa coisa de adorar os filhos. Que podemos nós filhos fazer? Ser amados. Regressemos à simplicidade do começo. Às vezes sou importante porque sorri para alguém, amigo, conhecido ou apenas cruzamento de olhar. Naquele momento fui único porque único foi o momento.
Afinal de contas eu apenas faço com que a minha vida seja um pouco mais brilhante, porque é a única que tenho agora, assim à mão de semear e que posso viver.


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6 de abril de 2018

meditativo delírio

Sentado na esplanada, absorvendo os raios de sol que fracamente ultrapassam as nuvens altas neste dia de primavera, embalado na melodia arritmada do marulhar, medito sobre mim, delito flagrante dos meus egocentricos pensamentos. Um dia enamorei-me e por ser como sou me gostaste da mesma forma. Ainda hoje me emociono quando seguras a minha mão, ansiosamente espero a tua chegada, sorrio ao teu sorriso, arrepio-me no teu abraço, tal como no primeiro que me deste.
Primavera que vem buscar-me em forma de desejo ardente faz como que  não haja um ponto final a este meditativo delírio


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4 de abril de 2018

Na cidade parece foi ontem

Faz conta, mermão, que esta mesa deste café é um café da tua e minha juventude ao mesmo tempo que é uma fogueira e que a gente está à volta dela a trocar palavras. 
Imagina que esse mar que está aqui é onde tudo começa e onde tudo termina. Imagina que muita essa água são as lágrimas choradas às escondidas nos dissabores de amores de juventude. 
Olha que esses cabelos em desalinho, agora brancos e estilo anos 70, são a gente como a gente era. Esses corpos magros, as barrigas ainda não ganhas e o pneus ganhos com o tempo ainda não eram nem amostra. Vamos sentar em roda e beber umas e outras e falar dos ontens que aconteceram e para termos ideias para amanhãs, recordarmos e sabermos que vivemos, que percorrermos os lugares de ontem e chegamos ao amanhã. Mermão, hoje te recebi uma foto desses tempos, uma foto que tocou fundo no coração. Tinha o zulmarinho, tinha Fané, tinha o biquini azul, tinha, tinha tinha, tantos tinhas que acho até tinha perfume da cidade. Tinha a côr no preto e branco, salpicados por muitos brancos devido ao tempo, espaço entre dois momentos. Deu um toque no coração, uma gota de zulmarinho percorrendo a cara, uma emoção. Mermão, como tu dizes que hojesou eu que pago as loiras, já não bebo mais. Mas só hoje porque as outras serão pagas pela MAGIA da nossa exitência, pela capacidade dos nossos sonhos, pela amizade que nos liga. Te lembra, mermão, que aqui sentados em roda, bebendo umas e outras, não interessa de que é que se vão lembrar de nós, mas sim quem vai se lembrar de nós e o que vamos nós nos lembrar


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007