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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

16 de janeiro de 2018

um dia

Ai, mãezinha que este tempo leva a vontade para os lados cinzentos do horizonte.

Sentado no lancil do passeio da estrada que vai na praia onde costumo meditar no zulmarinho, me pergunto porque deixo partir o dia que foi ontem. Ontem perguntei porque deixei o tempo levar o ante-ontem e por aí fora. É que ainda por cima eu olho para trás e não o vejo. É injusto deixar os dias passar. Eu lhes seguro com todas as forças e com toda a força tento não abrir mão deles. Acho perdi o rumo dos meus dias. Não vejo os que passaram. Mas não vejo também o vazio deles.
Querem ver que os meus dias são os de futuro apenas. O lancil do passeio não me ajuda. Vou-me sentar junto a uma porta e deixa-la entreaberta não vá um dia passado querer ser futuro também.
Afinal de contas vou ver o zulmarinho e deixar esta estrada. Não vá um dia ser o último.


Sanzalando

a ir

Nem uma estrela no céu. Silêncio defunto. Cor negra da noite sem lua. Perdido no caminho da imaginação, me apetece gritar acordando o mundo adormecido. Me apetece que estejas ao meu lado a ver o sol que há de nascer, a cidade que irá acordar. Mas tu estás escondida no teu lugar secreto para onde foges quando o mundo se torna barulhento e a guerra substitui a paz, e ao certo não me escutarias.
Vou pedir companhia para ir ao cinema, comer um quarto de pizza e esperar que o sol volte a brilhar, nem que seja nas Maurícias.


Sanzalando

14 de janeiro de 2018

ser mar

Era noite cerrada, daqueles noites que para ver a gente cerra os olhos e mesmo assim não vê mais que um pouco à frente do nariz. O vento soprava forte. Gélido que nem sorvete de água na geleira. Fui sentir o mar. Fui ver o mar. O marulhar era sereno e o azul devia ser negro porque ele estava da cor do não se ver nada também.
Sentei-me numa pedra a saborear aquele momento, a ouvir o marulhar, sem intenção de tirar com ele a conversa e o saber de outros dias. Não dava para saber se eu estava assim perto dele para lhe segredar os meus medos e as minhas esperanças. Juro que me apetecia tocar no mar e senti-lo ali onde não o via porém ouvia.
É, este mar tem a faculdade de me ter fácil, de me levar a olhá-lo mesmo quando a escuridão me impede e o esforço do tempo é enorme.
Esse mar tem a capacidade de me fazer ser poesia, prosa ou filosofia, ser grito ou silêncio, ser sussurro, carícia ou arranhão. Esse mar me faz ser sol, chuva ou nevoeiro. Mesmo quando eu quero fugir ele faz-me ser como ele: mar.

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11 de janeiro de 2018

Fui na praia das Conchas

Hoje olhei e vi a praia das conchas. Em 2007 eu revi a praia das conchas. Hoje por acaso me lembrei da praia das conchas e como eu lhe conheci. Tinha 10 anos, 12 no máximo. Rui Miranda me disse vamos na praia das conchas. Minha mãe, com senhor Leovegildo Miranda claro que tinha de deixar ir. Eu ia de Jeep Willys. Acho a minha alma saiu do corpo, deu a volta à terra e voltou no meu corpo. Eu que mais não conhecia que a cidade propriamente dita, aquela que ia do bairro da facada à torre do tombo, do mar ao quartel da tropa, fazendo cantos no cemitério e no estádio do Benfica, na fabrica de tampinhas por cima do porto e na escola Industrial. Eu ia na praia das Conchas. Fervi. Borbulhei de entusiasmo. Quando cheguei lá não tina praia, Tinha conchas e muitas rochas e o mar parecia estava zangado com o mundo. Foi maravilhoso ver o porto do Saco de cima. Foi terrível ver o mar selvagem. Foi magnifico ter a minha piscina refrescada por salpicos das ferozes ondas.
Hoje digo senti sandes mista quando fui a primeira vez na praia das Conchas.


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10 de janeiro de 2018

louco?

Tremendo de frio, porque mal vestido para o tempo que faz, vejo o zulmarinho a tons de cinzento, encrespado que até parece se arrepia. Me deixo levar por pensamentos, vagabundar dos caminhos imaginários, ideias soltas em campos sem barreiras. Dou comigo a admirar quem mantém o riso fácil e a inocência de criança neste mundo de maldade. Se existisse alma a alma deles estaria perfumada e era de cores garridas. O sorriso transparece felicidade e alegria. Contagiantes, perceba-se. Benditos sejam que guardam a criança que existe em cada um de nós e a mantêm viva. 
Afinal de contas, dou comigo a pensar, vale a pena ser feliz, cantar liberdade, simplicidade e de braços abertos agarrar a vida que há.
Precisamos crescer, o tempo é real, mas não temos que perder a nossas a essência juvenil. Brinco. Sorrio. Tenho a certeza que o meu lado infantil me ajudará a ser um adulto melhor.
Tremo de frio e não bastante, caiu uma carga de água que me molhou até aos ossos e ainda sorrio como louco me poderão chamar.


Sanzalando

6 de janeiro de 2018

melancolia de inverno

Sei que estás a mergulhar no zulmarinho pareces és sereia. No tempo distante da minha memória também me vejo a dar mergulhos carregados de estilo. É verdade que o meu maior estilo era mesmo o estatelado em forma de chapão. Mas eu era vivo e ria, eu me deixava levar no entusiasmo da paixão, no dar o meu tudo mesmo que sem resultados práticos. 
Vivia a vida. 
Assim que nem agora, mas resguardado do frio que no presente não é memória, é real. Os mergulhos já foram, agora são entradas suaves e o estilo é mesmo o de cota. Lentamente deixando o zulmarinho me embrulhar com a salgada suavidade dos dias calmos.
Tu mergulhas no zulmarinho. Eu me deleito na memória. Tu dás braçadas até na jangada, eu me levito nas estórias que penso vivi.
Hoje está frio para caraças e eu, à volta da fogueira que agora chamo de lareira, busco a vida na memória, saboreando brisas e ventos leste de outras épocas.



Sanzalando

4 de janeiro de 2018

filosofando ao fim da tarde

Sopra vento forte. O meu cabelo perdeu o feitio. Rebelou-se num despentear que parece querer me arrancar a cabeça do corpo. Eu sorrio olhando o mar que violentamente se espraia num marulhar de tempestade. Continuo sorrindo e o meu corpo oscila nas rajadas do vento. Imperturbável. Super herói me sinto.
Afinal de contas eu venho ao zulmarinho me abastecer de energia, pensar em como agir dentro da vida num batalhar inevitável de viver. 
A vida passada está vivida, definida na minha mente na forma como eu a percebi. Não há como esquecer ou mudá-la, modificá-la, moldá-la. Porem posso lê-la de maneira que me dê mais jeito, de modo que a embeleze à minha maneira simples de ser. 
A parte da realidade do hoje é inevitavelmente inerente ao fracasso de qualquer passo anterior associado aos pontos fortes. De modo simples: sou o somatório do meu passado com o presente. E o presente vivo-o.
É. Hoje me apeteceu vagabundear pelo pensamento, tropeçando em filosofia, meditação ou simplesmente na minha maneira simples de viver. Hoje, vagabundo-me em palavras com o propósito de me sentir vivo, de corpo e alma, sorrindo.


Sanzalando

2 de janeiro de 2018

vocação de 2018

Gosto de escrever.
 - Então porque não aprendes? pensou alguém que distraidamente passou os olhos por mim aqui.

Eu tento. Gosto e faço-o. Umas vezes bem, avaliação minha, outras nem por isso, mantém-se a minha avaliação. Mas gosto e faço-o. Mil leitores nem um milésimo disso, tirando eu, é claro. Importante. Também nem por isso. Há quem possa gostar e não o diga e há quem diga coisas por simpatia. Há e são números. De números não sei nada.
Difícil é encontrar a minha vocação, para além da profissional, claro. Sou bom em tanta coisa e tão mau em muito mais que é difícil até tentar.
E o que é que eu faço bem? hum.... danço?! não, de todo, dançarino não vai ser.
E o que eu gosto mesmo de fazer? claro está que é escrever
E como é que eu vou criar um valor acrescentado a isso?
Respondendo a estas três perguntas, com honestidade, eu vou escolher a minha vocação dos tempos livres.

Sanzalando

29 de dezembro de 2017

era. é. será

Me sento sob chuva a olhar o mar. Zulmarinho parece é sossego de não querer nem mexer-se. Me penso em voz alta: como foi o ano?
Quê?! Vou fazer balanço? Despensa disso. Foi. Passado. Era. Não se faz balanço que enjoa e o mar hoje não balança nem marulha. É sossego só dele mesmo.
Passado é alicerce do futuro e ponto final. Não faço parágrafo porque tenho o presente para viver. Hoje acordei assim: presentemente.


Sanzalando

25 de dezembro de 2017

uma ultima estória de natal

Sou João, de nome próprio e impropriamente me chamam outras coisas, e todos os anos faço o mesmo nesta altura do ano: engordo. Eles são fritos, doces, guloseimas das mais variadas formas e sabores, para além duma lista de nomes de comida propriamente dita, digna deste dia como polvo no forno com batata a murro, ou só este mesmo o que incha o que vai dar ao mesmo. Uns ganham Iphones, cachecóis ou meias, roupa de inverno ou para o verão que há de vir. Eu ganho peso. Original. Mas o meu nome continua a ser João, e todos os anos por esta altura é o mesmo filme.
Hoje é Natal e o espírito está no ar. É amor espalhado no ar, nas sensações e emoções, nos olhares e nas estrelas, se não fosse dia e não estivesse nublado.
Hoje andamos de sorriso na cara porque é Natal. E eu mais gordo, também


Sanzalando

24 de dezembro de 2017

ainda outra estória de natal

Hoje sinto-me como se tivesse apagado a última gota do que existia em mim. Cortei as correntes e as joguei ao mar.
Da Galileia chegou-me a notícia que três gajos magros que seguiam uma estrela, das dez que usam Lux, montados num Camel de tracção às quatro, de ar condicionado ao exterior, ainda estavam longe de chegar à Nazaré, onde uma senhora havia gerado uma luz através dum parto.
Atento segui as notícias. Tudo o que era rádio, televisão e smartphones estava sintonizado para o Oriente Médios que fica um pouco antes do Oriente propriamente dito e eu atento a todos eles. 
Os gajos magros faziam-se acompanhar de incenso que serve para purificar o ar, de commiphora myrrha, conhecida simplesmente por mirra, e cujas resinas têm efeito anti-inflamatório, antisseptico, analgésico e aromático, o que é muito bom para entorses, torcicolo, nevralgias e dores de garganta, para além de ser um bom desodorizabte e de outro que serve para fazer compras e embelezar. Isto deixou-me preocupado. Três prendas para uma luz que haveria de ser dada à luz num estábulo da Nazaré.
Foi aqui que fui ao fundo até às correntes que havia jogado ao mar.
Ai me lembrei o que um meu mestre sempre me dizia, em caso de risco não desesperes, olha para cima e encontras a luz. De facto quando amanheceu eu via a luz, do dia e estava marcadao para esse o tal parto na Galileia.


Sanzalando

21 de dezembro de 2017

outra estória de natal

Meu nome é João, muitos me chamam de Jota e desde pequenino que aprendi a olhar o presépio. Sempre adorei ver aqueles minúsculos bonecos a representarem séculos de tantas histórias, verdadeiras ou frutos de grandes imaginações, pagãs ou religiosas, culturais ou só porque sim. Umns mais ricos que outros, uns mais fantasiosos que outros mas todos a representarem um dia como se fosse o único dia do ano. 
Mas a verdade é que sempre gostei de os ver. Cheguei a estar horas a ver. Nos bombeiros da minha terra sempre tinha um grande. Acho que ainda é o maior que já vi. Pode ser que naquela idade qualquer coisa me parecesse enorme. Mas recordo-me dele e é importante isso, porque desde pequeno que aprendo a lidar com a vida e todos os seus presépios. 
Umas palmadas aqui, um elogio por ali, uma queda, um levantar dorido, às vezes rápido e outras com vontade de ter morrido ali por aquele instante de dor, mas com o ensinamento da vida fui vivendo a olhar presépios. Representações de um dia, reais ou ficcionais.
Ao longo dos tempos fui notando que as dores são diferentes, umas duram outras são passageiras, uma cicatrizam com cicatriz e tudo, outras passam até na fase do esquecimento. Assim como os presépios guardados em caixas até no proximo dia de usar outra vez, igual ou diferente, com os mesmos bonecos, pagãos ou religiosos.
Às vezes basta um olhar de relance, um abraço sentido e a dor mais dorida como que voa e a vida continua mesmo que não tenha um presépio para admirar.


Sanzalando

19 de dezembro de 2017

a minha estória de natal

É estória de Natal. Não vou comprar presente. Nem um. 
Não conheço Jesus, esse que nasceu no dia 25. Só mesmo de ouvir falar dele. Se eu lhe conhecesse eu lhe dava um presente. Vários até. Lhe dava discos da Marisol, filmes do Josélito, albuns do Ádamo ou do Art Sullivan, Rita Pavone ou Giani Morandi ou se calhar de Jacques Brell. Ou então podia ser mesmo só os cartazes do cinema. Acho de Jesus ia gostar. Imagina ele sentado no balcão do Cinema do Eurico. Judeu loiro e olhos azuis, feito super star a cantar um dueto com Aznavor. Oh, ia ainda lá no fundo uma de Piaf. 
É só estória de Natal que vem na memória o filme do Ben Hur.
A neve que cai nos presépios mesmo dos trópicos. 
É na estória de Natal que a gente vê a quantidade de gente que passou ao longo do nosso ano e que se perderam no tempo e com dificuldade a gente se lembra até do nome. 
Cumpri o meu dever e contei uma história de Natal que escrevi como estória da minha memória dos carros de plástico feito e que eram até perfeitos que a gente nem lembra mais a marca.
É uma estória de Natal que a gente faz falar bem, mesmo sabendo que amigos teve que não passam o natal porque se foram antes para incertas partes da vida.
É uma estória de Natal que até tem uma árvore que safadamente me pisca como que a querer que eu lhe sorria.



Sanzalando

15 de dezembro de 2017

palavras não tem

Procurei umas mil letras para umas centenas de palavras. Escrevi-as em verso e em prosa. Palavras que me definissem, que fossem o reflexo do circunflexo ano da minha vida. Porém não as encontrei por mais rascunhos efectuados, por mais tentativas feitas.
Tentei descrever-me e contar-me o quanto sou maravilhoso. 365 dias deste ano que o fui. Entusiasmei-me e na emoção me perdi.Renunciei todas as palavras, risquei todas as letras. Vivi.
Porque ao fim e ao cabo um ano cabe em 365 dias, uns quantos sonhos realizados, umas tantas surpresas acrescidas e tanto amor vivido que bendita vida que palavras não tem.

Sanzalando

12 de dezembro de 2017

faceboquiaberto

Chove que nem amostra clínica de dilúvio. Pouco. Eu, que não sou dado como tolo fico na janela a olhar as micro-gotas que caiem vindas lá do céu, ou um bocado mais abaixo. 
Medito, quando me devia era deitar. Mas deu-me para aqui. Cleópatra, pensei eu. É que ambos temos perfil. Ela célebre pelo nariz e eu conhecido por meia dúzia no tal de facebook. Enfim, faceboquei-me. Eu escrevo post, espero um like, pelo menos um, aguardo comentários, pelo menos um. Às vezes gostava de ser partilhado. Olha, instagrei-me numa foto, twittei-me numa frase. Espero tantos likes. Espero o meu clube de fãs. Espero miles gostos. Bonequinhos. Correntes. Eu sou um faceboquiano.
Não existe nada mais prejudicial para o meu facebook, para o meu ego, do que eu não escrever nada da minha luta interna, do tempo que dedico à harmonia das palavras.
Faceboqueei-me por completo. São as notícias, são as verdades infaliveis e os prognósticos de tantos sábios. Eu não tenho tempo para me cultivar. Acho vou por coisas de lado para me faceboquear ainda mais.
Afinal de contas meditei e não me deitei.


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10 de dezembro de 2017

marilynente Árthemis




Sanzalando

7 de dezembro de 2017

Quipola, se ainda me lembro, era assim ou mais ou menos

Hoje a minha mãe não foi no trabalho porque está a preparar o pic-nic d'amanhã na Quipola. Eu sei que vamos apanhar o comboio na estação do Sr. Alves e vamos sair lá pertinho da Sofrio, junto da Casa dos Rapazes que o Padre Dinis por lá criou. Se não estou esquecido?! Tinha outro padre novinho que foi para lá. Cristovão?! Ai que a idade de ser pequenino neste tempo todo tem partidas na memória. 
Eu sei mesmo é que vamos apanhar o comboio, vamos andar devagarinho e pertinho da Quipola ele vai parar, a gente vai sair. Tem missa e procissão. Tem gente que não sei de onde veio. Eu ia dizer era dia de festa mas acho é dia Santo. Se é dia santo é porque já morreu. Não conheço santo que é vivo. Morto faz festa. Faz sim, e é na Quipola. Tem pic-nic de churrasco, gasosa, para mim podia ser Alpine mas minha mãe de certeza leva carbo-sidral, se não for só água mesmo.
Não sei a que horas é a missa, não faço ideia a que horas é a procissão. Eu sei mesmo é que eu vou no comboio e espero elas estejam lá todas.


Sanzalando

4 de dezembro de 2017

aqui ou lá, eu vou por mim

Me deixo levar pela brisa mental que sopra dos lado sul e pelo cheiro a terra molhada, quando aqui impera a areia seca da seca.
Me deixo embrulhar no perfume mar que este chão emana, quando por lá impera a calema a água castanha das enxurradas.
Me deixo embriagar pelas paisagens salvagens dos oásis da memórias, quando por lá impera a savana e o seu fervilhar de emoções.
Neste quadro de cores garridas esbatidas em aguarelas ou tapetadas em tons cinza me decido a parar a reclamar da vida. Deixei de emburrar, de me queixar, de me enrugar por antecipação.Há coisas bem simples para fazer. Umas a gente pode e faz. Outras não e não faz. Depende ou não de mim? O que depender de terceiros isso é com eles e com os que se lhes seguem.
Por mim me deixo levar por mim, aqui ou lá, onde quer que eu esteja.


Sanzalando

1 de dezembro de 2017

eu, o frio e o lugar comum

Me disseram por aí que o frio estava cá. Eu sinto-o e por isso acredito que seja inverno. Não quero mas se é, seja. O zulmarinho está ali mais azul que nunca. Sereno e sem tilintar. Me sento em meditação ou recordação. Não consigo ver a diferença neste momento. É o mesmo que eu disser que adormeci a pensar em ti. Se adormeci não estava a pensar. Mas acredito que sim. O teu corpo junto a mim. Aquecidamente adormecemos.Era assim que eu julgo estava a pensar em ti quando adormeci. Afinal de contas eu sou um personagem da minha existência e por isso lhe posso dar lugares, nem que sejam comuns.
Cada noite me fazes falta e me acompanhas nestes aforismos paradisíacos da minha imaginação. Eu sou o lugar certo de ponto nenhum.


Sanzalando

30 de novembro de 2017

saudade de ser eu sempre.

Tremo de frio sob um sol de inverno. O céu está que nem lavado e o mar que nem chão polido de brilhantes. Eu aqui perdido num universo de ideias e ideais, num emaranhado de sonhos ou de imagens imaginadas num delírio febril sem febre. Ansioso, discuto-me e zango-me solenemente. Não me consigo lembrar de 10 coisas que tenha aprendido hoje. O que vou fazer da minha vida? Indecisão decidida nos anos de juventude e que hoje me ocorreu. Vou por os meus mil planos em acção e realizar um qualquer, desnorteado aceito um que seja. 
Será doença sentir-me assim?
Deve ser apenasmente saudade de ser eu sempre.

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007