Navega à vontade que a Sanzala é segura, mesmo que te pareça lenta!
A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

24 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 16

Havias de ver as nuvens a desaparecer quando falo de ti ao mar.
Sabes, verão, quando entro no zulmarinho e sinto que fico um bocado mais perto do lado de lá, até me brilham os olhos. E se ela olha para mim, ao mesmo tempo, acho ela consegue ver o que eu estou a pensar. Ela e o o lado de lá são os pensamentos mais lindos que eu consigo ter. Transparentizo-me na alma e coração. Os olhos reflectem-me a alma.
Sopra uma brisa devagarinho. Mais carícia que brisa e se ouço alguém dizer que esta vida está difícil é que eu penso que ela, a vida, está farta de nós. De nos aturar nas fazes menos claras.


Sanzalando

22 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 15

Como é sábado é madrugada para levantar. Não levantou-se o vento, levanto-me eu atraído pela selva de luz do sol. Sinto-me bem. Com olhos de ver vejo o que posso á minha volta. O zulmarinho ali está, sereno, sem ar de cordeiro nem de fera. Ele mesmo estendendo-se até à linha recta que é curva e que me separa o que vejo do que sinto. Troco palavras simples por grãos de areia. Brinco na areia. Podia dançar. Conversar e dançar na areia dum dia de verão. As garotas estão divinais nos seus biquinis de cores garridas. Os rapazes jogam à bola. Hoje todos se levantaram de madrugada, antes do vento.
Eu hoje imaginava estar aqui sozinho a ver o zulmarinho e sonhar sonhos de vida e dou comigo a divertir-me à grande com toda esta alegria de cores e brilhos numa madrugada de sábado em que nos levantámos antes do vento.
Hoje é verão dum beco à procura de saída.


Sanzalando

17 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 14

O vento foi de férias para outras paragens que nem me interessa saber quais, porque na verdade tudo melhora quando parece que não damos importância, quando não somos nada mas temos todos os sonhos do mundo.
Hoje serei chef, de estrela mexilhão ou Michelin que não me interessa desde que eu seja o que neste momento me apetece ser. Vou fazer um prato grumet, estilo francês, decoração latina e sabores franceses. Apetitoso?
Pouco me importa desde que eu goste do que esteja a fazer.
O Óleo queimou? Parvo ajudante de mim me saí. Um Chef não deixa queimar o óleo. É científico.
É verão e me apetece fazer o que gosto.
Mas hoje andam por aqui a reclamar, é tempo, é dor é parvo. É verão e vou fazer mais o quê?


Sanzalando

14 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 13

Afinal de contas o que é que é o verão? Aqui no Algarve? Faz Sol e faz Vento? 
Bem vistas as coisas aqui é assim um beira do fim do mundo. Um quase lá que não existe excepto naqueles meses. Um lugar onde não vive ninguém. Um lugar onde é uma chatice o tanto ano que existe que não naqueles meses.
Sem ser naqueles meses não há carros. Qualquer lugar está ali, inerte, isolado, solitário qual deserto. Sem ser naqueles meses as pessoas são pagas, mal, para aguentar o lugar até chegar àqueles meses, sorriem porque têm tempo até ao tempo daqueles meses, as pessoas se juntam à beira do rio, nas esplanadas vazias, nas esquinas desertas a conversar sobre tudo e sobre quase nada porque têm tempo até chegar àqueles meses.
Sem ser naqueles meses as tantas praias estão limpas, vazias e o olhar se deixa navegar por silêncios marulhados em perfumes de maresia, o ar respira-se sem o perfume de gasolina, o coração bate lentamente e os sorrisos se estampam nas caras enquanto as gaivotas não têm dificuldade em escolher um lugar para se espraiarem no areal.
Depois chegam aqueles meses... e CV conversa com JCC numa noite escaldante dum subúrbio esquecido por aqueles que descem à descoberta como os antigos navegadores para espalhar a palavra confusão nas mentes dos dementes que aquentam os outros meses.

Sanzalando

12 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 12

Quem foi que apagou o sol hoje? Faxavor devolver. Tem gente que tirou férias para torrar feito pão em torradeira e já não basta o vento ainda lhe escondem o brilho?
Na verdade com tanto vento acho não sobrou palavras para usar. Acho a praia desariou, varrida constantemente por essa força aborrecida.
Mas quem é que foi que inventou o vento?
Afinal de contas eu gosto é de verão, sol a sério, mar quente e muitas ideias na cabeça a fervilhar..



Sanzalando

11 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 11

Sol tórrido queimando-me as ideias e aquecendo os pensamentos. Vento forte varrendo as palavras que parecem saem silenciosas da minha boca. É assim que vai o verão, fazendo-nos sem força, anémica vontade de fazer o que quer que seja, desentender o que sou ou que queria ser. Abrigado do tórrido sol e escondido do forte vento, escolhendo as minhas fases, numa forma indelicada de ligar ao sentimento raiva que vai nascendo com o despentear dos poucos cabelos que resistem. Guardando as coisas dentro de mim, o medo de encontrar um domador para os meus temores, conteúdos para preencher o vazio, imagino que o meu passado não é a memória do que vivi mas sim as recordações que fui montando ao longo do passado numa constante mudança presente. 
O sol tórrido e o vento forte conquistam espaço e eu desato a gritar que é tempo de arrumar o caos e sonhar claro para lá do zulmarinho

Sanzalando

5 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 10

Sol timidamente estendido sob a areia da minha praia. Vento forte arrastando grãos de areia em direcção ao meu corpo, tal como agulhas disparadas duma qualquer arma. Abrigo-me, encolho-me num canto recatado, protegido por uma pedra de séculos de memória. Eu quase sem nenhuma, quase sem passado e do presente resta um medo de passar a entender e deixar de sentir. O zulmarinho ondula num marulhar de ira, quem sabe de protesto.
É verão numa tarde de vento quente.


Sanzalando

3 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 09

Hoje não há brisa. O tórrido sol queima a areia da praia que nem dá para a pisar a caminho do meu canto ounde gosto de me sentar a ouvir o marulhar das águas empurradas pelo sueste. Saltito como lagarto em deserto usando memórias de passado. Assobio para abafar os ais e uis que grito em forma de pensamento. Chego ao meu miradouro. Desperto a minha atenção para além dos horizontes visuais. Sussurro mantras como que a chamar memórias que possam estar escondidas nas camadas da vida vivida. Assopro poeiras, limpo velhas teias de aranha que mais não são que bichos imaginados em tempestuosos passados. Assim já limpo, já recomposto no presente, projecto os pensamentos e me dou comigo a fazer-me perguntas cujas resposta vou dando cândida e vagarosamente.
Um dia de verão, calor tórrido e memórias refrescadas. Mergulho o corpo na água gelada. Purifico-me em sorrisos, brilho dos olhos de criança que continuo a ser.
No céu há estrelas velhas e novas que logo à noite brilharão a minha escuridão


Sanzalando

1 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 08

É verão. faz vento. Está quente, agradavel mas despenteavel. Sento-me aqui a ver o mar que hoje resolveu estar parece é lago. Nem o marulhar me chega aos ouvidos. Neste momento só me apetecia olhar nos olhos e sentir a respiração de quem me abraça com o coração. O desejo aumenta só de pensar nisto. Mas não me apareces no horizonte do meu olhar e nem se eu ultrapassasse a visão da linha recta que é curva eu te veria. Tu estás no meu pensamento e eu nem sei se consigo abrir os olhos porque tenho medo que fujas por eles. 
Faz vento. Está quente. Está mar chãi sem marulhar mas existe um sabor a maresia no ar. És o meu ar.


Sanzalando

29 de junho de 2017

divagações dum dia de verão 07

Sopra vento como em todos os verões. Não o tenho de memória mas na minha estória só é verão se houver vento. Pelo menos de algum tempo até agora. O que dá para eu me sentar num recanto duma qualquer falésia e adormecer pensamentos e viver sonhos. Ou até por-me a viajar por lugares que eu nem sabia existiam e onde sei nunca irei, porém, ao sabor do vento deixo a imaginação voar por aí.
Sabes, ao longo da vida me afastei de pessoas que eu pensava iam ser ligações para sempre e me aproximei de pessoas que eu nem sabia existiam. É assim como o vento. Inconstante vertente da existência.
Olho o zulmarinho e azulo a minha vida, reflexos de tonalidades múltiplas. É verão e faz vento. Como sempre.


Sanzalando

27 de junho de 2017

divagações dum dia de verão 06

Tórrido sol que ventos trás. Olha ai, ó sol, me apetece dizer-te não. Com técnica, é claro. Na minha estória, qualquer das minhas personagens devia saber dizer não, porque eu, no todo, só tenho um dia por dia e não posso gastar energia assim soprando ao contrário para não despentear as minhas ideias ou pedalar até nas descidas. As minhas personagens são escassas para gastar assim. 
Vê lá sol, se deixas esse vento que trás areia até parece acupunctura me perfurar as belas pernas que o tempo cansou.
Considera este não um ponto positivo. Tu és sol e és a fonte da vida, alegras a minha vida com o brilho do teu calor, assim eu quero andar numa de lá para cá junto à maresia, mudando de cor, saboreando o teu reflexo no zulmarinho.
Com este vento eu não consigo.

Sanzalando

26 de junho de 2017

divagações dum dia de verão 05

Faz um calor tórrido. Acho mesmo um milionário dos sules comprou o tempo e lhe o tropicalizou. Se não foi assim, então eu não percebo nada disto de meteorologia. Mas se esqueceram da porta aberta e o vento que devia ser brisa quase me arranca os cabelos pela raiz.
Com este tórrido calor sinto vontade de chorar, primeiro para aliviar o coração e depois para me fazer mais leve para as roupas do verão.
Com este tórrido calos, arrefecido por este vento forte, vai criar novas dores, novas memórias para ficarem na memória duma recordação que o tempo passou.
Cabeça quente e dorida dos cabelos arrancados deste verão eu garanto que o amor é uma questão de possibilidades e nunca de garantias garantidas num contrato de longo prazo.
Assim foi mais um diálogo entre mim e a outra personagem da minha friccionada estória verdadeira de verão

Sanzalando

23 de junho de 2017

divagações dum dia de verão 04

Tórrido sol que me obriga a fechar os olhos quando eu queria ver tudo o que me rodeia.
Como é estranho ser personagem na minha estória. E efémero como todas as personagens duma qualquer estória.
É estranho saber de mim, dos meus problemas e frustrações assim como se fosse outro e me ouvisse de outro. As coisas que o sol me faz.
O zulmarinho continua nas suas tonalidades de turquesa ao escuro até um quase verde, quente, frio e caldoso, agitado, calmo ou calema de remoinhos traiçoeiros, conta-me a minhas alegrias, frustrações, enjoos e surpresas. Uma maneira de me ver através da minha personagem nesta minha estória de vida.
Nem o tórrido sol fez apagar as promessas que fiz, nem apagar as palavras que escrevi ou calar as que disse nesta personagem de verão. Afinal de contas, menos vestido, esta minha personagem continua muito parecida comigo, pelo menos nas estórias que me conta.


Sanzalando

21 de junho de 2017

67 - Estórias no sofá - se é, amizade não acaba

Assim cantava Chico Buarque: amou daquela vez como se fosse a última; e ele, Antonino, menino nascido e criado em família boa da cidade alta, tudo fazia como se fosse a última coisa a fazer na vida. Vivia-a como se ela, a vida, acabasse naquele instante. Ele parecia sabia. Ele amava com tal força parecia morava dentro do amor, ele próprio, que tanto dizia que quando o amor acabava ele ficava um sem abrigo.
Era este Antonino que eu conheci ainda andava de calções mas não magoava os joelhos porque ele não tinha tempo para brincar. Ele estava sempre tão ocupado que não tinha tempo para ver que as cores do céu são muitas, depende do minuto e do olhar. Do azul escuro, ao claro e ao amarelo alaranjado é um instante que se perde. Ele não podia nem perder esse segundo de admiração. Estrela cadente ele sabia que existia. Mas sei nunca viu nenhuma. Me contou uma vez na hora do lanche. Na verdade, vendo de agora, deixado passar esse tempo, uma vida, eu acho que Antonino estava imune à beleza da vida. Ele era o melhor. Menos no jeito de estar na rua, menos no jeito de vestir o uniforme de pessoa que vagabunda as ruas da cidade à procura de não fazer nada de jeito.
Ele era poesia, geografia e história. Matemática e desenho era assim um quase nada fracote, mas disfarçava com o vocabulário de quem ia fazer discurso de polimento. Ele sabia museus e outras enciclopédias. Não sabia bares nem outros lugares.
Um dia mudou. Cresceu na altura e na largura. Trabalhava parecia não tinha fim o dia. Amava poderosamente. O tempo de estar, simplesmente estar, desapareceu e no meu olhar nunca mais o vi. Fui ouvindo falar estórias de quem não sabe onde acaba a ficção e continua a realidade. Engenheiro, doutor, não sei. Milionário me disseram e a vida foi correndo nos seus altos e baixos. Houve flores que murcharam e outras floriram, houve invernos e verões e os frios tropicais nunca congelaram estórias que fui ouvindo. Umas sabia podiam ser verdadeiras, outras nunca na vida. 
Antonino aparecia nas revistas de negócios, umas vezes inchado porém sempre bem bronzeado e acompanhado. Nunca soube o caminho mas o ia abrindo. Lia eu, ouvia e imaginava outro tanto.
Um dia, perdi o rumo. Eu herói de tantas guerras na vida me esqueci. Desliguei o passado como se ele fosse de outro. Eu só tinha o meu presente presentemente. Dia após dia segui a minha sombra. 
Uma esquina, um dobrar de esquina, lento como o calor que me toldava os movimentos, dou de caras com Antonino. Magro e pálido. Reconheceu-me de imediato enquanto tive que fazer um esforço enorme a tentar pôr aquela cara num qualquer lugar da minha vida, até que consegui pela voz e gestos. Tremia. Falava muito mas pouco percebi o que me dizia. Comia uma parte das palavras e nas outras um silêncio no olhar. Eu gosto de silêncio mas os silêncios que lhe saiam da boca me incomodavam. Tanto que ele falou que eu apenas  resumi no sempre há uma escolha excepto se escolhermos a errada. Demos um abraço como se o tempo não nos tivesse passado. Amigo, disse-me, roubaram-me a capacidade de ser feliz e eu gastei o tempo a correr para lado nenhum. Ouvi perfeitamente, refeito da surpresa.
Mergulhei em oceanos profundos, nadei mais do que as minhas capacidades permitiam. Vivi como se cada dia fosse o último. Hoje tenho tempo, menos para morrer como eu desejo.
Olhei-o, perplexo, não quis saber da sua estória, não tentei perceber os seus caminhos e lhe disse para me acompanhar num passeio de passo lento. Silenciados, lado a lado, fomos andando.
Foi aí que ele me disse naquela voz de ainda criança que eu me lembrava: tudo na vida acaba, menos a amizade.





Sanzalando

19 de junho de 2017

divagações dum dia de verão 03

Sendo eu outra personagem de mim, aquela que vagabunda pela torreira do sol, redesenha contornos corporais escondidos em minis peças de roupa, deambulando beira-mar acima e a baixo como se a praia deste zulmarinho fosse um picadeiro de modelos, gostaria de, neste momento, olhar-te nos olhos, sentir-te respirar e dar-te um abraço como nunca ninguém te abraçou e sentir-me acompanhado e menos sozinho de mim.
Na verdade, aquecido pelo sol, quanto mais penso mais aumento o meu desejo de ser eu e não esta personagem da minha estória, vazia, sabor a mar e soprada de brisa na tez morena da minha alma.
Me sento a ver o zulmarinho e tento arrefecer a vontade de nadar mar abaixo, em direcção a qualquer sul que fique para lá da linha recta que é curva.


Sanzalando

18 de junho de 2017

divagações dum dia de verão 02

Sobe a temperatura do zulmarinho. Quase dava para nadar em descida até ao ouro lado dele, surfando de onda em onda, numa imagem de desenhos animados.
Sobe a temperatura e eu deixei uma outra personagem de mim tomar conta dos meus sonhos, marcar o meu horário e viver livre no exercício de liberdade. Afinal de conta eu gosto da luz do seu olhar. Aprecio o sorriso do seu sorriso, o ar de bem disposto e gargalhada fácil. Eu gosto do seu ser livre e embora a temperatura suba o zulmarinho levar-me-á a ser eu na forma que for.
Emprestei um beijo em troca dum olhar. É assim o meu verão.


Sanzalando

17 de junho de 2017

divagações dum dia de verão 01

Sobe a temperatura. Nem o zulmarinho me arrefece o corpo que arde. É assim um arder de saudade incandescente, um queimar fluorescente, uma borboleta esvoaçando na minha cabeça numa catadupa de ideias ferventes. 
O zulmarinho marulha numa perfumada maresia enquanto eu me desculpo de ser como sou e não outra personagem da minha estória, enquanto eu me desconto nos desgostos que causei nas frustrações de antanho.
Sobe a temperatura e eu desenterro-me de emoções, sonhos e do melhor que há de mim em mim. Tento ficar sem nada para mim. Sonhos e sentimentos. Dou-os enquanto o calor me ferve o corpo que o zulmarinho ma arrefecerá.
Um dia eu vou conseguir tirar a armadura de mim e vou ser esse assim, a outra personagem de mim, mergulhado no zulmarinho purificando-me em banho-maria.

Sanzalando

14 de junho de 2017

fantasma transparente

Bate o sol nos olhos e eles se fecham como que a me defender. Eu, ser invisível, porque não me vejo, torno-me num ser pensante, num fantasma real de mim. 
Franzida a testa pelo esforço de suportar os raios que tentam passar por através das pálpebras, sou um fantasma que parece está a pensar. 
É verdade. 
Eu, fantasma de mim, ao sol me deixo levar sonolentamente como se boiasse num rio de águas calmas, testa franzida, olhos fechados e sol a entrar no corpo como se eu fosse uma transparecia.


Sanzalando

12 de junho de 2017

adeus, primavera

Oi. Olá. Até à próxima. 
Fim da Primavera anunciada. As lembranças que te tenho são dum vento a cair no calor, um silvo como se uma gargalhada na minha cara fosse, uns dias que não me deste a chance de sair de casa porque chovias. Mas também a tonificação do verde árvore a crescer nos campos, os suestes no zulmarinho a me borrifar de quente. 
Sinto muito estar a jogar no chão o pano da tua despedida. Eu sei que parece eu não tenho jeito nem faz efeito assim te escrever na despedida. Mas eu quero que fique escrito na história a tua passagem por mim. Estás acaba. Eu não desisto mas tu te finas. Ciclicamente. Sãos os ossos do teu ofício.
Para o próximo ano a gente se vê. Tá?

Sanzalando

7 de junho de 2017

o tempo que passa

Sentei-me a respirar a maresia., a ouvir o marulhar e a ver a linha recta que é curva. Sentei-me por aqui a ver o para lá de mim. 
Como o tempo voa. 
Passaram-se outonos, invernos e verões e estamos num final de primavera que me leva o cabelo num vento de fim de tarde como se fossem folhas a cair num outono. Quantos frutos já deram as árvores? Quantas árvores entretanto já caíram? Quanta sombra já deram? 
As árvores sentem?
Eu aqui sentado sinto. Por mim e por elas, o tempo que passa.
  

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007