6 de junho de 2007

Filosofia de vida

Sento-me aqui enquanto na posição fetal te deitas na areia de mil cores sem deixar uma única marca. És a leveza instantânea do ser sombra. Te deitas e escutas as minhas palavras como se elas fossem totalmente tuas. Bebes-me as palavras, porque depois de eu as dizer olho em redor e não as vejo.
Hoje te falo de mim, do eu mesmo que existe aqui dentro e que se transparentiza nestes dia´logos contigo como se fosso ema frágil folha de vidro voando através da brisa marítima que me despenteia os ralos cabelos que ainda teimam crescer na cor natural deles, porque os outros de tão claros nem se dá por eles.
Na verdade , e como tu sabes porque eu ao longo destas nossas conversas já te devo ter dito e se não te lembras é porque já esqueceste nessa oca cabeça de vento, uma pessoa não chega a ser ela mesmo se não se esquecer de si e não se entregar ao amor. Independentemente de que amor a gente queira mesmo é pensar. Para quem não tenha encontrado um rumo, usando sextante, traçando no mapa da vida a rota, de esquadro e transferidor que nada transfere, segundo as estrelas, os satélites e o impulso, todo o seu passado se converte assim numa carga, o presente num problema e o futuro não passa de uma ameaça.
A felicidade não está no final do caminho, mas está só depois da acção realizada com sentido, quer a gente tenha necessidade ou não. Ela mesmo não está no fazer o que se quer mas sim no querer com que se faz. Num esquece nunca que eu sou filho do meu passado e penso ser pai do meu futuro.
Ouve bem o que eu te digo, porque não sei se algum dia te vou repetir as palavras que te digo.
Desde que tu tenhas um desejo de viver és capaz de aguentar qualquer coisa, porque a vida tem mais sentido quanto mais difícil ela é. A vida fácil é difícil.
Portanto, e assim numa forma de resumo, eu te digo, olhando o zulmarinho e saboreando o perfume da maresia, que sem sentido a existência não se vive plena e a vida não é sã.

Sanzalando

5 comentários:

  1. Quase regressado no angolês!
    Me sento por aqui e lhe leio sempre, no finalzinho da tarde, naquela hora de preguiça de fim de dia... entre o cansaço e o bem estar das tarefas terminadas, porém, quando lhe leio no angolês, toada criola da nossa Angola, as palavras se adoçam na curva do por do sol, embalando os sentidos. Assim lhe gosto mais ainda!
    SBJ

    ResponderEliminar
  2. Perfeitas divações de filosofia da vida, adornadas da magia indefenível de Ser e de Estar.
    Sim! O Passado não esquece para definir, preparar e encaminhar o Futuro.
    Dar uma significação à vida?
    Amarei com amor sempre a vida. O sentido, o pleno sentido, expresso lado a lado com a beleza de Ser. A minha vida e, de certeza a sua vida, são demasiadamente pertinazes, embaladas pela força da sensibilidade e direccionadas com um apego gigante a ela.
    Quando se torna mais complicada a existência, recupero a custo, mas recupero, o fôlego esquecido no tempo e vou à luta. Uma luta que me percebe e, que sou eu conheço, por ser minha.
    Parabéns!
    Não páre. Abrirei as minhas palavras feitas amizade sempre aqui.
    Fazem-me orientar. Eu que me desoriento com facilidade. Deve ser um defeito meu.
    Com estima.
    Abraço.
    pena

    ResponderEliminar
  3. Viva Carlos:

    Uma reflexão a ter em conta.
    Gosto ainda mais quando escreves com o lápis virado para o positivismo.
    Dos fracos não reza a história.

    Bom feriado... trabalhando :-)

    Um abraço,

    ResponderEliminar
  4. Não existe vida se não houver uma meta, um objetivo para se alcançar.
    Li um livro muito interessante:
    Em Busca do Sentido - um Psicólogo no Campo de Concentração, de Viktor Frankl que trata muito bem desse assunto.
    Mas o que mais me chamou a atenção, e que coloquei em prática, foi o fato de que podemos "contaminar" o ambiente com o nosso comportamento, influenciando as pessoas com o nosso estado emocional.
    Fiz essa experiência várias vezes e é verdade se consegue contaminar o ambiente positivamente. Muito legal.

    ResponderEliminar

recomeça o futuro sem esquecer o passado