recomeça o futuro sem esquecer o passado

29 de agosto de 2018

tempo e velocidade

Aqui parece o tempo voa com o vento de fim da tarde. Faz tempo que não sei mais transformar as palavras nos sentimentos que sinto, que não sei o suficiente do que faço e nem sei bem quem sou. Mas eu não sou de ansiedades, de voltar as costas num tripé de medo e me manter acordado só porque sim. Olho o relógio, desligo os minutos e tenho as horas e com elas fico com tempo para procurar letras e com elas fazer palavras e escrever frases que direi.
É o fim dum verão e como todos os verões se vão os amores perfeitos deixar de florir com o brilho de verão.
Se tem dias que eu penso que viver ou morrer de amores é uma coisa linda de morrer, tem dias que viver é tão mais bonito que nem penso nesse final feliz. Os ossos podem doer, as articulações já não articulam como eram e a velocidade do pensamento já não acompanham os desejos.
É fim de verão, graças ao tempo que corre à velocidade de 24 horas por dia


Sanzalando

27 de agosto de 2018

me perdi de gente

Hoje bateu em retirada os calores de verão. Parece estava a causar distúrbios nas cabeças ferventes ao ponto de ter gente que pensava já se tinha perdido. Mas como é que podia ter-se perdido se faz tempo que tem gente que há muito não é gente? Imagina só se perder quando faz tempo que deixou de ser opção, deixou de ter ouvidos, deixou de amar de coração e passou a viver de carência?
Tem gente que mesmo sem sol e sem os arrepiantes calores de verão já há muito se eram.
Não foi a minha cabeça que ferveu, foi mesmo só a sombra do imbondeiro que se deslocou para o lado sul de mim e eu me perdi de amores por ti.

Sanzalando

25 de agosto de 2018

serenamente caldo

Continua o sol de queimar ideias e refazer sonhos. O zulmarinho, serenamente quente para um retemperador banho de calma e a maioria de nós continua com as suas tristezas, os seus desejos adiados, as feridas por sarar, as perdas perdidas para sempre. Eu, sereno como ele, sorriso estampado e cara mostrando a minha realidade, resolvendo problemas, compreendendo as buscas da felicidade, tropeçando em vontades, juntando palavras de ajuda, tornando o impossível possível pelo menos na ideia e no pensamento, sorrio porque o zulmarinho serenamente caldo me relaxa num desamparado estado de estar de bem

Sanzalando

24 de agosto de 2018

zulmarinho, calema e eu

Hoje passeio na minha praia como se o zulmarinho fosse um pedaço de mim, pés nele até ao joelho, caminho em ritmo desacertado e desconcertado, ao sabor das ondas, num vai e vem ondulante como se emborcado eu estivesse. Acho estas ondinhas igual que nem pessoas a me querer derrubar, destruir, fazer cair. Mas eu penso sou forte e só onda forte que nem calema me vai tirar deste passeio que imaginei dar.
Sei, que neste caminhar da vida me vou despindo, mostrando o que sou, o que fui sem imaginar o que serei. Mostro as minhas fases como se face da lua fosse e cada vez que uma onda me desequilibra, o meu labirinto corrige o rumo e me mostro sem me deixar afundar ou afogar em rancor.
Hoje aprecio o zulmarinho de dentro dele mesmo


Sanzalando

22 de agosto de 2018

sol brilhante

Brilha sol. Torra-me a cabeça e escurece-me o corpo. Sim, faz de mim um fervente pensador. O zulmarinho está ali para me arrefecer caso seja preciso. Por isso me passeio aqui na borda da água faz conta molho os pés enquanto passeio o meu corpo divagamente por ali.
Imagina que esquecer fosse uma coisa complicada para alguém. Para a maioria das pessoas até que parece era bom. Assim facilmente se esqueceria qualquer sentimento, aquele amor de verão, aquela ideia idiota, aquela coisa saborosa que agora apetecia mas não pode ser.
Imagina só que é que o sol me faz... não fosse o zulmarinho me arrefecer vagarosamente .


Sanzalando

21 de agosto de 2018

o zulmarinho azula-me

O zulmarinhao azula-me a alma num misto de calma e tranquilidade com lucidez e brilhantismo. Olho-lhe como quem procura o amanhã que já foi escrito no passado. Descubro num por acaso que por acharem ridículo o amor foi banalizado e que ser egoísta era o bom da vida. Descubro a seguir, numa qualquer onda que não rebentou, que é tão difícil pedir perdão, como dar um abraço.
O zulmarinho ali continua com a sua personalidade por vezes forte outras vezes parece chão que nem existe.
Olhar o zulmarinho não me torna nem fraco nem me menoriza. A borboleta vive 24 horas e tem umas que são tão lindas... como eu gosto do zulmarinho e do sol que lhe brilha


Sanzalando

20 de agosto de 2018

eu queria

O marulhar me embala nesta meditação de início de tarde. Eu queria ser como todos, desses que não aprisionam pensamentos nem dores de alma, desses que não se esforçam para segurar uma qualquer máscara nem seguram palavras porque pensam que elas não magoam. Eu gostava só que o sol brilhasse na sua pura beleza e eu por trás da minha retina eu queria ver um mundo brilhante, sem jogo de interesses nem vaidades insanes.
Eu queria só, no meio deste caos continuar feliz, ver o sol e ser despenteado pela brisa leste.


Sanzalando

16 de agosto de 2018

Férias de verão

O zulmarinho parece chão, assim azuleijado com desnivel de escoar para se esparramar na areia. Eu, em cima da minha rocha, faz parece poltrona do rei dos mares, observo com olhos de ver-me nos meus olhos, os passados, presentes e inventar futuros. Daqui consigo fazer barcos de papel, grandes de imaginação, vê-los balouçar no chão de mar e ao sabor da brisa irem rumo ao sul dum qualquer norte.
Sorri, gargalhei, cantei verão e no meu silêncio saboreio a brisa que me dá uma cor torrada. Com tão pouco posso fazer-me tanto. Deixo só os pés na água a refrescar como se fossem radiador de camião a subir a serra.
Eu sou eu no mais eu que posso ser, aqui a olhar o zulmarinho.

Sanzalando

15 de agosto de 2018

festa

Olha só o brilho que brilha na serra.
Hoje vou na procissão da Senhora do Monte.
Hoje vou correr o eucaliptal , vou na piscina, vou nas barraquinhas, vou só passear.
Hoje é dia de festa e eu vou festejar.
Porquê?
Preciso saber se há festa e mais porquê?

Sanzalando

7 de agosto de 2018

Fogo varre a serra

Como é que é? Tem nuvem que é fumo e tem chuva que é folha de eucalipto queimado. Respirar custa que nem parece coisa normal e olhar parece ser esforço de cacimbo. Mas lá por trás se adivinha o sol que parece uma semente a querer romper a terra para nascer. 
Faz conta eu vi no passado, numa tempo ruim, num inferno recordado, num clarão de vermelho fogo sobe a serra, desce a serra, varre vento, nasce vento, cria vento e nada faz parar. Não consigo pintar com palavras, não tenho desenho nem foto, só tenho mesmo é memória vivida, desorganização de sonhos, virar de cabeça para baixo, inverter o verso e o reverso e explicar o que parece não é explicável.
Talvez um dia alguém me explique, porque hoje os Homens estão cansados e o pensamento torna-se confuso que é melhor deixar descansar.


Sanzalando

4 de agosto de 2018

imaginação de verão

Ai uê! Como pode de haver festa se tem calor que até derreter o pensamento só de imaginar ele. Desliga. Eu é que liguei porque lá estou eu com os meus excessos e acessos de ideias. Vou apanhar um vai e vem que é autocarro que não sei onde anda nem para onde vai. Deve ter só ar concecionado à temperatura desambiental. É verão depois da primavera e lá é inverno austral. Pensando melhor eu não vou colorir as minhas ruas, não vou fazer festas nem atirar foguetes, nem ver os cabeçudos nem a banda do Cassequel, eu vou ficar só bonito do meu jeito jeitoso de ser formoso, bom, porque não me chega o suficiente. Me deixa eu contar se eu fosse andar de Citroen boca de sapo até que ia. Ao fim do mundo que deve ser lá pertinho donde ele começa, porque toda a recta é curva que nem o universo é uma bola. 
Destilou com o calor. Vou mesmo só comprar vinho no João Padeiro e fazer festa entre mim e eu num distante tempo chamado imaginação


Sanzalando

2 de agosto de 2018

é verão, e depois

Derretem-se ananazes e outros cabazes. Faz calor e ontem se protestava com o dito verão que não vinha. Ele chega e lhe protestam por ser forte. Entender? Desconsigo.
Até parece que querem que meias palavras dão meios pensamentos, meios verões ou me partem ao meio.
Está calor! Ainda bem, eu gosto. Transpiro? Yá, Vou fazer mais como? Até parece que a noite chora suor. E depois?
É verão e me gosto. Há quem queira uma leve brisa, daquelas que bagunçam o cabelo que nem pente entra e que detestam aquele sol que parece cega. Eu não. Só não gosto é da confusão do verão.


Sanzalando

1 de agosto de 2018

mudança de estação

Faz sol e a brisa parece ficou lá para leste. Acho estivesse ao sol eu ia ferver até nos cabelos brancos das memórias de passado. Parece mudou de estação do ano a meio dum qualquer apeadeiro que trouxe ventos a areias que pareciam as do meu deserto ao fim duma tarde ventosa.
Fosse eu uma pessoa superficial e precisaria dum grande evento para sair de casa. Assim baste-me não ter vento e já fui. É que fui atrás de percepções, de nuvens, de borboletas ou apenas dum sorriso ou abraço amigo.
Afinal de contas, com sol ou com e sem vento para ser feliz eu não preciso do acaso, preciso da minha cumplicidade e quem sabe dum pôr do sol para mais tarde recordar.



Sanzalando

30 de julho de 2018

Verão, brisa e pensamentos

Tronco despido passeando ao longo do zulmarinho. Me esqueço a brisa e o perfume de sabor a sal. Caminho de olhos abertos sem ver nada para além do caminho percorrido. Caminho porque sim, é verão e eu preciso descansar os pensamentos profundos para quando eu precisar deles. Caminho por caminhos da vida, tantas vezes carregados de palavras bonitas e algumas vezes de sabor a alcatrão. É vida e é verão, no sorriso malandro do canto da boca e nas estórias que vivi ou sonhei. Ri tanto que já não me lembro do sabor dessas palavras; chorei algumas vezes pelo sabor angustiando de palavras soletradas nos pensamentos forçados e contrariados.
É verão e por isso não tenho palavras escritas, só pensadas em passado porque o presente, apesar de tremulo, é para viver e não para contar.
É verão mas não é tempo de ser deixado ao silêncio. Desaprendi de ficar calado mesmo quando não falo.
É verão e passeio ao lado do zulmarinho já não me importando com a brisa.



Sanzalando

28 de julho de 2018

como brilha o sol no verão

Brilha o sol como este ano ainda não lhe tinha visto. Não sou detalhista. Reparo na minha pele de galinha quando me arrepio, reparo naquele olhar quando me incomoda ou me embacia o pensamento. Não sou capaz de dar um abraço de aquecimento se não sentir frio, nem um sorriso se pressinto uma tristeza. Não sou assim porque não estou atento ao detalhe. Mas me incomodo se não recebo aquela atenção pequena que seja. Um grão de areia atirada numa palavra ou escondida numa frase, me machuca mais que uma martelada num dedo ou um pontapé inadvertido numa pedra falsa dum passeio verdadeiro
Não sou detalhista nem reparo na nuvem que parece um sino ou um urso, mas dou conta do barulho das árvores que dançam ao sabor do vento.
Como brilha o sol de verão? É pergunta que não sei nem responder. Lhe gosto e não vou ao detalhe de lhe desmontar para saber como usar as palavras para lhe pintar

Sanzalando

26 de julho de 2018

olho o vento

Nem sempre a distância se mede em quilometros, metros ou milhas. Olha só esse de verão que anda longe que nem se vê. Olha só essa gente que anda na rua mas tem a mente que nem sabe onde. Olha só esse gente que conversa no som do silêncio gastando os olhos num pequeno telefone. Olha só como é dificil haver aquela esquina onde me sentava nas noites quentes dum dia qualquer. Olha mesmo onde está o mais próximo. Não, não estou a falar daquele corpo físico que está ali, olha mesmo só dentro da cabeça dele e vê onde é que ele pára. Acho nem ele sabe. Se perdeu faz tempo e nem o vento lhe trouxe de volta a ele mesmo. Tem gente que está tão distante que até se pisa a sim mesmo e não sabe.
Eu sei que tem aplicações para ver o coração, mas não tem para ver o pensamento. Tenho pena e vou passear ao vento com os olhos postos em ti.


Sanzalando

24 de julho de 2018

reflexão

Tem sol por aí. E amor próprio? Ambos servem mas o segundo acho mais útil. O primeiro mostra o caminho com mais brilho e clareza mas o segundo te leva lá de qualquer maneira. 
Tem vento? Tem sol? Tem amor próprio? 
Coisas da natureza que fazem falta. Olha o sorriso. Pifou? Não, não curto-circuitei. É mesmo só verão. O Sol anda por aí, às vezes escondido, outras vezes camuflado no vento. E o amor próprio? Esse tem de estar aí, desde o começo tem que estar na geografia mental como um norte que pode ficar em qualquer ponto cardeal, não propriamente numa patente religiosa. Venta por aqui e as letras ondulam como uma roupa estendida na corda num solilóquio entre mim e eu como se houvesse uma dor virtual do silêncio existencial.
Ok. Foi mesmo só um momento de reflexão.


Sanzalando

22 de julho de 2018

69 - História no sofá - Jeremias mudou de vida

Jeremias tomou uma iniciativa que sabia que um dia destes tinha de ser tomada.
Ele fora, até um tempo atrás, senhor de seu nariz, autor das suas decisões e empresário dos seus feitos e co-autor, juntamente com o azar dos seus defeitos, sendo que o seu lema era se amar em primeiro lugar. Tudo o resto vinha depois.
Começado faz anos, pouco a pouco, assim a modo que invisível e silenciosamente, se ia afundando e sem qualquer motivo aparente já não conseguia ouvir ninguém, já não conseguia ver quem quer que fosse e as conversas lhe passavam ao lado mesmo quando parecia tomar toda a atenção deste e outro mundo. No seu rosto se tinha esculpido lentamente uma cara de tristeza e mesmo quando tudo parecia que brilhava, Jeremias se apagava. Virara, como por antes mágicas, num egoísta triste e isolado.
Hoje Jeremias chorou. Era Sábado e estava sozinho, sentia-se tão vazio que a morte era o caminho certo. Mas se era assim a cabeça, o corpo estava eléctrico, lhe puxava para a farra, a kizomba lhe entrava nas veias mas parava no pescoço. O corpo parecia que ia enquanto a cabeça teimava em ficar. As conversas eram vozes distantes que mal ouvia e nada respondia. O corpo dançava dentro de si. Jeremias sentia o vazio no cheio que ele era. O peso da pressão da vida na sua fraca vulnerabilidade faziam com que pensasse que não sabia o que fazer da vida.
Jeremias gritou, seu rosto de tristeza esculpido acordou o mundo que o rodeava e fez rir. Eu sou um pássaro, disse. Se me deixarem livre voo e não volto, se me engaiolarem eu entristeço e morro, se me mimarem eu me adapto e me apego. Eu não tenho escolha porque a escolha é vossa.
Jeremias sorrindo, abriu a porta e saiu a cantar: 
«criamos espaços vazios, 
não damos conta d'os preencher, 
tiramos água dos rios
com medo de à sede morrer.

criamos monstros de fantasia
apenas para nos entreter, 
esquecemos que um dia
é o dia de morrer.

criamos ódio e amor,
alimentando-os para crescer,
como se fossem uma flor
apenas para secar a ver

Criamos ideias e fantasias,
muitas formas de viver
para esconder os dias
que nos apetecia morrer

...»

Verdade se diga que nunca mais ninguém viu Jeremias sem sorrir, olhos brilhantes e mãos carinhosas e sempre prontas a se darem. Jeremias me disse que o barulho da chuva é a melodia mais perfeita para sonhar. Este Jeremias era um Jeremias de corpo inteiro

Sanzalando

19 de julho de 2018

as férias do sol

Sigo o meu caminho tentando que não haja vitimas, sofredores ou perdedores. O meu caminho é calcorreado por mim num trilho desenhado e por vezes reinventado. Eu leio livros e vejo filmes, eu sigo o sol, eu saboreio a noite, tento ser uma força que não impõe vitórias. É claro que gosto de praia, gosto muito de sol, gosto muito da natureza, da que deu certo e tento emendar a que deu errado. Sou assim com o sol e sem ele. Sou assim que não ando ao sabor do vento mesmo quando ele teima soprar todos os dias. Sou assim que nem eu mesmo quando o sol aparece ou não. Sigo-o mesmo que ele não esteja por cá, a trabalhar ou em férias.


Sanzalando

17 de julho de 2018

tem vento de verão

Tem vento levado pelo sol, tem-se gente perdendo pessoas que ironicamente se perdem também, tem gente que perdoa pensando que perdoar é um sentimento quando sabemos que é uma atitude, tem gente que prende à custa da dor, tem gente de tão sozinho não sabe nem estar. Tem gente que nem merece o verão que que lhe dão.
Mas é verão e o que no verão acontece costuma no verão ficar. Olha o vento. Fica que nem parece estar em casa dele de portas abertas.
Quem disse que o verão ia crescer diminuindo o Outono? Ninguém cresce à custa dos outros.
O zulmarinho está mais azul que se confunde com o verde mar. Os teus olhos brilham mais que os reflexos do sol na água ondulada dele. 
Bem, tem verão que me fez pensar que eu ia mudar o mundo. Acho não vai ser este também


Sanzalando

13 de julho de 2018

sol assim

Faz sol de queimar torradas costas, pelar carecas e fechar olhos no brilho do zulmarinho. Faz vento que faz tempo deveria ser leve brisa refrescante. Optimista sei que depois da chuva aparece o arco-íris, depois da tempestade costuma ver a calmaria e depois do fim é habito haver um novo início. Mas o raio deste verão não deixa ver nada novo. Não deixa nem abrir os olhos tal é areia fina que pica mais que manta de alfinetes.
Com este sol assim, carregado de vento, como vou deitar a minha cabeça no teu colo e deixar o tempo passar na velocidade dele sem me importar?

Sanzalando

10 de julho de 2018

é verão, ele mesmo

Faz sol e venta que nem brisa soprada por um fogo. Incomoda estar deitado na areia de muitas cores e ouvir o mar assim neste ar quente. O corpo lentifica-se a cada movimento e cada um parece que necessita de ajuda de outras forças que não apenas nossas. Eu sei, é verão e ele tem dias que são assim, mesmo que os outros dias façam sentir-me pior.
No verão as minhas lágrimas não duram mais que uns lamentos, as minhas dores não são mais medíveis em escala. No verão eu tenho presente e recordações do passado, mesmo daquele que eu havia dito que esquecia. No verão eu tenho sorrisos guardados para os dias futuros que os presente sorrio.
No verão eu aprendo a viver novamente para aguentar as outras estações, para suportar os frios e arrepios, os altos e baixos dos outros caminhos. 

Sanzalando

6 de julho de 2018

dia de cada vez

Me olha só esse sol. Todos os dias começa de novo. Precisa de coragem. Nem se quer é igual em cada começar. Um minuto diferente em cada dia, nascer e se pôr. Nesse minuto, que não é de 60 segundos porque não fui investigar, não tem repetição. Tem gente que não tem nem coragem para começar uma segunda vez, se continuando igual e monotonamente repetitiva a cada segundo que em 60 faz um minuto exacto.
Hoje começou belo e se tornou baço com o crescer do dia. Amanhã? Veremos quem estiver cá para ver. Porque há quem cá esteja e não consegue nem ver, nem olhar e muito menos admirar.
É verão de veremos cada dia de cada vez até ao dia que for.




Sanzalando

4 de julho de 2018

fácil falar de sol

Olha só esse sol carregado de ar que parece é ventania a me despentear e me deixar que nem parece galinha depenada. Eu sei que parece é fácil falar de sol. Quero ver falar dele quando ele se abstém de aparecer. Parece estou a falar nas costas dele, coisa feia de falar mal só porque sim. Lembrar o sol, os escaldões, as dores de nem aguentar camisa ou boné e falar dele de memória não é fácil nada.
Eu sei que esse meu sol daqui é que nem o de lá, quer mimo, carinho e muitos cuidados para sobreviver nestes meses que lhe chamam de verão. Verão se deus quiser.


Sanzalando

2 de julho de 2018

a timidez e abstracção do sol

A timidez do sol me está a deixar preocupado. Eu sei que quando era criança a minha mãe me obrigava a usar chapéu porque parece o sol era fogo na cabeça rapada dum corte feito no Olímpio. Agora, cabeça careca do atrito dos anos que passaram, nem aquece acima da temperatura do frio. Assim essa timidez me deixa só com vontade a olhar no dentro e esquecer que existe um fora que é uma parte importante da minha existência. Mas deixemos esta falta de brio veraneante para outras palavras e olhemos para o abstracto da nossa existência. Sim, a nossa vida não é só uma pintura abstracta que se vai pintado como é um somatório de opções abstractas que fomos somando.
Há perguntas que merecem ser respondidas e são simplesmente esquecidas. Há perguntas que merecem ser esquecidas e são rapidamente respondidas. Há perguntas doce e outras dolorosas. Os silêncios são perguntas ou respostas? Eu vou só ali fazer perguntas à minha abstracção e ver se o sol se abstrai da sua letargia. 

Sanzalando