recomeça o futuro sem esquecer o passado

11 de abril de 2020

quem sou

Olho-me como se me olhasse num espelho. Vejo-me como eu imagino que sou. Jamais saberei ao certo como é que os outros me vêem. Eu sou assim, apenas como me sinto. Não quero ser como os outros gostavam que eu fosse, Como é que eu sou? Eu que eu vejo ou o eu que me imaginam? Eu sou eu deste lado de cá. Jamais consegui esconder os meus sentimentos. Sempre tive medo de não conseguir sentir o que sinto.
Sou assim, pouco mais ou menos, tal e qual.




Sanzalando

#caminhos


10 de abril de 2020

#comida


olho passado presentemente

Releguei-me para um canto da minha existência de modo a que me pudesse ver. Eu com toda a atenção em mim. Vi-me de corpo e alma inteiramente. 
Já vi como fui, tento ver-me como sou e imaginar-me como serei. 
Regressado ao passado de mim, aquele que me custou deixar, que me deixou triste e vulnerável, que dói ainda ao pensar e percebi porque ainda choro. Esse passado faz-me estar presente. As lágrimas que chorei fizeram-me rir mais tarde, as grandezas que vivi deram-me valor às pequenas coisas de hoje, as dores que senti fizeram-se saber o sabor das carícias.
Relegado neste meu cantinho, olhando-me intensamente só me arrependo do que não fiz por tal não me ter lembrado.



Sanzalando

#caminhos


#momentos


#momentos


9 de abril de 2020

dançar ideias

Olha-me só a deslizar pensamentos pela ladeira da vida abaixo. Como é bom patinar por ideias, sonhos e ilusões, dançar ao ritmo dos desejos e piruetiar por imaginações. É assim a vida dum pensador de bem com a vida. Às vezes, raramente, entenda-se, parece ser uma vida triste e cinzenta, um mergulho nas águas do desespero, no turbilhão do medo e no cansaço da existência. Pequenos momentos fugazes, que nos lembram que humanos somos. Outras vezes, a maioria diga-se, sorrimos porque gostamos de o fazer.
Agora, que não posso olhar o zulmarinho, que não consigo ligar-me ao outro lado da linha recta que é curva, encontrei o meu lugar favorito: onde não existe tempo. Onde posso estar a contar pequenos pedaços do tempo perdido, fragmentos de vida real, onde cada letra é só uma letra. Posso escrever poesia, prosa ou silêncios, porque o tempo não passa porque é inexistente.
Agora, entrado no mundo real, continuo sorrindo porque a noção do tempo foi ganha, a vida repensada e redesenhada, o esqueleto reerguido e o sorriso mantido na cara por gosto.
Olha-me só a deslizar por aí fora, recordando carros antigos, pessoas velhas no tempo de antanho que ficaram com a mesma idade, paradas na memória dum tempo que não passou. Como é bom ter tempo para dançar ideias.




Sanzalando

#caminhos


8 de abril de 2020

#flores


#pordosol


eu vou

Eu vou buscar o sol e passear com ele por entre ideias e soluções, entre sonhos e ilusões. Vou partir por aí, vagabundando-me sabendo que é mutante o tempo, passageiro, inesperado e que passa veloz mesmo quando o quero parado.
Eu vou buscar o vento para me obrigar a recolher a um canto da minha ideia e ver o céu infinito que querem fazer dele inferno, mas isso lhes vai passar.
Eu vou buscar a chuva para me abrigar numa esquina dum sonho e ver se me passa a vontade de abraçar meio mundo, porque a outra metade me apetece beijar.
Eu vou por mim adentro para deixar de imaginar emoções e de fazer de mim uma luta diária.
Eu vou por aí ficando aqui.


Sanzalando

7 de abril de 2020

#pordosol


meditamente sóbrio

Olho para tanto lugar vazio e sinto a energia do recolhimento.Até parece que a solidão humana esbarrou na perfeita noção do vazio. O que a voz não fala os meus os olhos traduzem e a minha ausência faz-se presente nas pessoas que me faltam..
Olho só por lados vazios, caminho por lugares comuns e me delicio em estepes da nada.
A metade dos pensamentos que me ligam à urgência do silêncio e me fazem trapézios de planos só pedem para ficar mais um tempo para cumprir mais uma dúzia de desejos que não gostaria de deixar por cumprir.
Nestes tempos meditações agradeço a transformação interna que me causam e me levam a ficar mais acompanhado nesta vida.
Agora posso dizer, de cátedra, absoluta certeza do infinito pretérito perfeito, que és a mais bionita obra de arte que os meus olhos esculpem cada vez que te miram.
Eu sei. Vais dizer que louquei. Só posso garantir-te que nunca estive mais são, mais lúcido e mais consciente de mim.


Sanzalando

#flores


#comida


#caminhos


6 de abril de 2020

visito passados e futuros

Chove. Não é a chuva da minha infância nem as tempestades da minha memória. Passeei nas ruas da minha cidade, fui no bairro dos ricos, para lá da Sanzala dos Brancos, nessa zona onde a cidade perdeu a simetria e as ruas sem saída cresceram na proporção do dinheiro que ganharam. Eu fui lá com medo de um dia me dizerem eu não conhecia a minha cidade. Fui na torre do Tombo e só reconheço a casa do tio Mário e a sede do Ginásio. Eu fui ver o meu passado a pente fino. 
Eu descobri que afinal não sou de ferro. Eu me machuco. Às abertas e claras eu também choro, sofro e me desespero. Eu sou humano e tenho os meus momentos mais fracos. Cada vez menos, é verdade. Me conheço cada vez mais e assim me surpreendo cada vez menos. Já senti dores que não tem remédio que cure. Já sangrei almas que não tem paixão que comprima. Já ouvi milhentos alarmes. já me ceguei de raiva, já me amarrotei de humilhações. 
Cheguei aqui e em pé. Pronto a percorrer a minha cidade de futuro, o bairro da Mineira, da Facada, Forte de Santa Rita que esqueceram de fazer lá um forte a condizer com o nome. Ou era porque a Santa Rita era gordo? Estou pronto par ir no Parque infantil e desafiar a gravidade por mais Sousas que hajam. 
Chove e eu não me importando mesmo.



Sanzalando

5 de abril de 2020

irs da minha vida

Se hoje mudasse o ano de qualquer coisa eu ia fazer o balancete. Faz conta é o imposto IRS. Eu ia receber ou ia pagar. Estou a falar dos anos da minha vida que me lembro. Os que esqueci ficaram apagados. Dívida perdoada ou pagamento esquecido. Tanto faz porque há anos que eu não sei mais como foi que passaram. Rodriguei-me e não disse nada ainda. Até parece estou refugiado na minha reclusão. 
Fazendo as contas eu dei em positivo ou negativei-me? Quantas partes da minha vida foram gastos em cigarros mal apagados, em juras de amor incorrespondido? Em quantas partes derramei o vinho da vida em vez de o beber? Quantas lágrimas verti ou fiz que vertessem?
Bem feitas as contas a verdade é que eu estou sorrindo olhando para os teus olhos que me sorriem e encantado na forma de me abraçares com o olhar!



Sanzalando

4 de abril de 2020

meu abrigo

Pé ante pé fui fazendo caminho por entre ideias e juízos. Saltitei por sonhos e pulei desilusões. Sorri e gargalhei e também chorei num bom chorar. Não recusei a minha rotina, o meu passado nem abdiquei dos meus bons pensamentos, não neguei amigos nem os mais fundamentais prazeres. Sempre fui de paixões. É a minha fatalidade. Até no bom sentido. E no mau com ele aprendi. Paixão, degrau superior do amor, é egoísta, é renunciar. Mas bolas, é tão bom que nem em reclusão eu abdico. É o meu abrigo


Sanzalando

3 de abril de 2020

Futuro do meu passado

E se fez sol nem dei por ele. O marulhar continua sereno e o vento foi de férias para parte incerta. Eu é que me mantenho neste posto de meditação e não me parece estranho, acho me habituei. Mudei-me, transitei do suplicativo para o afirmativo. Passei do castrante para o colaborante. Desasfixiei-me. Passei no teste da respiração calma e serena, deixei de correr atrás do tempo. Levo o tempo comigo, demore o tempo que demorar. Rectilizei-me e deixei de dar curvas numa forma de circulo vicioso. Eu sou a minha pessoa e a a minha voz. Eu sou o meu anjo da guarda porque deixei de ser o meu perigo. Dispensável porem responsável. Mudei-me de armas e bagagens. Sobrevivi a mim, ao inferno que inventei. Hoje eu sou presente, futuro do meu passado. Recordação colorida dos meus desejos e concretizações. Eu sou um presente que me dou, sorrindo.


Sanzalando

2 de abril de 2020

#flores


sonhos e ilusões

O zulmarinho marulha suave e salgadamente. Eu, no refúgio da minha essência admiro-o, usando a imaginação e utilizando a memória. O marulhar suave dum dia de calmaria me embala em pensamentos largos, em caminhos que nem eu sei onde me levam. Vou. Vou atrás dos meus sonhos e das minhas ilusões, sem medo que eles se desfaçam como se um castelo de cartas fossem. Aos meus olhos eles são os meus sonhos e as minhas ilusões e não são obrigados a serem de mais alguém e não têm veleidade de existirem para lá da minha existência. Mas enquanto eu existir eles têm o seu lugar. São os meus sonhos e as minhas ilusões, alguns planeados, outros apareceram assim dum nada imaginativo. Uns são parciais, outros totais. Uns grandes e outros pequenos. São os meus sonhos e ilusões e com eles eu aprendi a viver e a conviver.
Amanhã uns deixarão de o ser e foram substituídos por outros. Mas manterei esforços para que continuem a ser sonhos e ilusões



Sanzalando

#flores


1 de abril de 2020

meditamente

Chove e soleia. Sobra e molha. Hoje é dia de ser assim. Vamos fazer mais como senão viver assim hoje? E sorrindo seguimos o caminho do pensamento, porque qualquer outro não é aconselhável por estas alturas. 
Mas há hábitos que vamos ter de perder, mudar, alterar. Sei lá mais o quê. Não podemos não aprender coisas com tantas coisas que têm nos ensinado a vida. Mas mudar o sorriso é que não. Adaptar, talvez. 
Temos o hábito de passar o dia com coisas. Rotinas, diria. Umas cansativas e outras antes pelo contrário. Descansamos. Meditar, pensar, não é uma nem outra. É mesmo pensar com o pensamento puro, desprendido do corpo e da essência do ego. É mesmo só ter consciência de ser. É não ter plano, é não ter rumo. O pensamento vai e me leva a um lugar. Livremente.
Hoje, como ontem e será assim amanhã, há que ter tempo para o pensamento. Sorrindo. Nunca se pode perder o sorriso porque ele abre todas as portas, mesmo as aparentemente blindadas.



Sanzalando