recomeça o futuro sem esquecer o passado

29 de maio de 2010

começar de novo é apenas começar

Começar. Sempre começar. Já não sei o número de anos que começo. Afinal de contas é apenas começar de novo. Simples.
Um dia, talvez numa tarde do nunca, eu não te necessite, não te pense e nem te sinta. Ai não será necessário começar, talvez apenas seja só recordar, rever a vida vivida, sorrir das figuras e gargalhar das gravuras.
Um dia, sem pensar, começarei de novo e de novo viverei na necessidade de te ter. Ciclo vicioso num contraponto ocioso de obesidades mentais, faculdades vitais nuns etecetras e tais.
Um dia, pensarás tu em mim, e eu, longe, partido para as resmas da memória, empoeirado num qualquer pedestal, ancestral e feito de coral roubado no zulmarinho que me uniu na separação, serei pó e mais nada que um nome só.
Um dia, levantar-me-ei e acordado, sonambulamente, viver-me-ei como num sonho que nunca sonhei.
Afinal de contas, começar de novo é apenas começar.
Sanzalando

28 de maio de 2010

deixo

Deixo os olhos navegarem por caminhos que passei, reinventam passeios que não dei e desapertam botões de rosa que não cheirei. Sinto as minhas mãos percorrerem-te a cintura ao mesmo tempo que sinto interiormente uma violência carnal enquanto aparento uma calma visceral. Deixo que as minhas palavras caladas tropecem no teu espírito feito calma e prolonguem os meus silêncios para além da tua alma. Deixo que o meu passado comprometido tropece num futuro já vivido.
Afinal de contas, deixo que os nossos corpos, até agora dessincronizados, um dia se encontrem por um eterno momento.


Sanzalando

26 de maio de 2010

em fim de tarde

Me deito na areia que não está a escaldar porque hoje o sol se esqueceu de vir brilhar para estes lados. Mas durante a noite deve ter estado vento porque lhe alisaram as dunas que hoje parece não tem. Deitado, barriga disforme apontada para as nuvens, que lá em cima me servem de tecto, entre cobrindo o sol de modo que eu posso ter os olhos abertos, vou desfilando pensamentos, alinhavando ideias e esboçando sonhos.
Um dia, qualquer dia ainda não vivido, eu vou receber a surpresa de ter a surpresa de viver um sonho sonhado, de ver tomado de vida uma ideia ou de sentir criar corpo um qualquer pensamento pensado num momento assim como este.
Deitado assim, me deixo levar num adormecer acordado de fim de tarde em direcção ao sul, que fica para um destes lados.


Sanzalando

23 de maio de 2010

neblina

Aproveito a névoa, sentado na praia, com os meus olhos eu construo um barco que um dia me vai levar para além dos meus sonhos e que me levará ao teu coração.
Aproveito a névoa para tentar apagar a ideia que só tu existes no meu pensamento e que toda a vida é apenas um cenário para compor este filme.
Deixo que a névoa me surpreenda com ideias e que me traga o brilho do teu olhar num qualquer pensamento transviado deste incêndio que tento apagar.
Aproveito a névoa para sonhar outros sonhos em que tu não sejas a princesa, rainha, personagem principal e única deste filme.
Aproveito a névoa para dar retoques no cenário... que um dia pode ser que eu tenha que fazer parte dessa realidade.


Sanzalando

Relato duma carta telefonada


Sanzalando

20 de maio de 2010

me olho

me olhei no interior para escutar alguma voz que me viesse da alma. Silêncio absoluto, quase igual àquele que congela tudo. Eu emudeci-me num desesperado silêncio de afonia mental. Me reinterno e vasculho célula a célula na procura da barragem de palavras. Para lá dela vai ter que ter uma albufeira de palavras que represadas estão sem som. Nada. Vais ver que de tanto ter-te contado todas as minhas vidas, fiquei sem corda vocal que vibre sem emoção, que trabalhe sem sentido definido das consoantes constantes dum cacimbo da vida.
me olho e desencontro-me. Não sei mesmo onde me vou procurar mais. Do lado de lá desencontrei-me num até hoje. Do lado de cá nunca me vi nem ouvi.
me olho e tenho a certeza que um dia eu vou conseguir ver-me de sorriso estampado na cara como se fosse um anuncio luminoso a dar cor na noite de trovoada.

Sanzalando

19 de maio de 2010

quantas vezes????

quantas vezes eu disse que ia continuar atrás daquele sonho? do especial!
e quantas vezes me encharquei nas lágrimas que me aprisionam a um presente que eu não quero ter? o real!
e as vezes que tentei sair da comodidade para me afundar na mediocridade de ser humano, racional e de memória selectiva? comodismo!
e quantas vezes eu precisei dum abraço amigo, protector do frio que sente quem caminha pelo lado errado da escolha e recebi um perto de mão? segurando-me apenas!
quantas vezes compus a canção que te tentei cantar e sem voz mais não disse que ais de dor? medos!
quantas vezes... naveguei-me em sonhos para os teus braços que se encontram fechados? realidade!

Sanzalando

13 de maio de 2010

tonteira

Levanto-me. Dou uns dois ou três passos e já não consigo mais. Tudo escurece à minha volta. Procuro com a mão a parede mais próxima e com aparente paciência espero que volte ao normal. Dizem-me que foi um tontura. Eu diria que foi uma tonteira, uma vez que foi uma tontura que aconteceu na cabeça inteira. Afinal de contas foram apenas uns 10 segundos. Eu tremi por 10 segundos da minha vida?! Os anos que gastei numa farra constante foram assim abalados em 10 segundos? Nã! é melhor nem pensar nisso. Esqueço os 10 segundos e recordo o futuro que tenho pela frente. Qual hipotensão ortostática, qual carapuça. Agora eu ia ter uma coisa dessas. Hipotensão ortostática... isso é para gente fina. Agora, em vez de levantar-me tenho que fazer um compasso de espera, sentar-me e depois então levantar-me. E se houver uma emergência? Calma lá fogo que eu agora não posso fugir... Vais ver tudo isto foi porque eu nasci cansado.
Espero sentado pela paixão ou sentado espero que a paixão passe.
Afinal de contas foram apenas 10 segundos que eu inventei para ver se tinha memória do tempo que se me escureceu a visão.


Sanzalando

12 de maio de 2010

por ali

Por detrás da porta da minha imaginação, guardado no silêncio da alma, esperando despido um sinal teu, existo numa vida que não é a minha.
Por vezes, quase morto de frio, gelado de esperas absurdas, me apatece vestir e rumar a outros rumos que numca planeei. Mas sempre volto ao santuário da tua imagem no meu coração, ao perfume que emanas e que eu decorei um dia para mais tarde esquecer e até hoje não o consegui, ao calor aquecido do teu corpo que não vi mais vezes porque os meus olhos teimam em serem assim.
Afinal de contas, há momentos que me fazem hesitar, se sigo a alma ou sigo o sangue. Um dia vou saber e voltar a ser feliz.

Sanzalando

8 de maio de 2010

Em jeito de balanço

Em Novembro de 2003 nasceu 'A MINHA SANZALA' no endereço http://sanzalando.blogspot.com. Por questões de semântica lhe chamei o meu blog e muitas vezes assim o vou tratando. Pensei várias vezes mudar-lhe o nome, mudei-lhe a estética por algumas vezes, mas a base literária se manteve, se é que se pode chamar literatura ao que aqui vou desenhando em palavras com a minha falta de jeito para o desenho.
Alturas há que parece estou farto dele, outras sinto a nostalgia dos primeiros tempos e raramente me arrependo de o ter começado.
Muitos elogios aqui fui recebendo, estímulos que dariam para escrever até ao fim dos meus dias se para isso tivesse vocação. Poucas, raríssimas mesmo, respondi aos comentários, mas podem ter a certeza que os li todos e em 99% quase me 'babei' como um adolescente que escreve cartas à namorada, se ainda houvesse cartas de amor.
Sei de gente que me segue deste o primeiro dia, outras gentes vão aparecendo ao longo do ano, outros desaparecendo porque outros caminhos se abriram, outros tempos gastos em outros lados, redes sociais que absorvem tempo sem que se dê por ele.
Já não me lembro se quando criei o meu blog eu pensava em algum objectivo se não o de dar largas à minha imaginação. Esse continua a ser a pedra fundamental deste espaço.
Não é um diário porque faz tempo que não lhe desenho palavras todos os dias, não é uma sucessão de relatos porque não conto nada com pés e cabeça, não é crónica política que disso eu sou alérgico, não é uma biografia porque me farto de inventar estórias, enredos, sequências, maldicências e outras essências que não vêm da Índia nem passam pela minha vida vivida, para além de que teria que haver da minha parte uma grande dose de honestidade para poder contar o que me parece é incontável.
Na verdade o que eu sei é que encontro aqui grandes doses de sentimentos verdadeiros disfarçadas em frases desconstruidas de emoção e descontraídas de erudição, destilações de amores e vapores de ódios e frustrações, resmas de paixões em datilografadas cartas de amor.
Perdi a caligrafia, ganhei a oralidade e contei uma estória, que pode ser minha, tua ou de quem a apanhar.
Enfim, se aqui tivesse sido contada uma estória, havia vários personagens principais e muito poucos secundários. Acho que deste último seria apenas eu.
Enfim, este meu blog é apenas o fruto dum gosto e sem mais categorias em catálogos.



Sanzalando

7 de maio de 2010

sem palavras

- Desculpa, não pensei que...
- Se não pensaste não fales...
Eu me perdi em qualquer esquina onde estavam os meus amigos e divaguei em conversas que nunca tivera tido. Eu me camuflei de neve, eu me disfarcei de floresta, eu imitei inundações, eu me perdi no tempo que não imaginei que tinha passado.
Eu tentei de tudo e ainda não encontrei as palavras.


Sanzalando

4 de maio de 2010

procurando-me

Dei voltas e mais voltas nas rotundas da vida que já vivi. Reli palavras que disse, frases que soletrei, parágrafos que calei.
Saltei fases, tentei alinhar épocas e juntei fragmentos soltos.
Na verdade não encontrei a ponta da meada. Nem a meada. Nem um molho de fios soltos emaranhados numa anárquica alquimia de vivências.
Concluí que eu não existo. Nem uma pegada minha encontrei.
Já sei. Deve ter sido o vento que apagou o rasto da minha existência, a chuva que lavou o meu odor, a noite que escureceu a minha passagem.
Não páro de me procurar porque eu sei que existo e por isso, mais cedo ou mais tarde, eu vou-me encontrar.

Sanzalando

2 de maio de 2010

Dia da mãe

Pedalava eu pelos caminhos dum despensar para esquecer que o mundo é mundo e outras coisas mais, quando me entrou no ouvido um sussurro a dizer que hoje é Dia da Mãe.
Eu sei, que antes de lhe levarem para um canto inesquecível da minha memória, eu lhe fiz doer a cabeça, lhe acinzentei muito cabelos que ela teimosamente pintava para não me assustar com o tempo que passa, lhe suguei lágrimas de dor de alma, lhe tirei sonos que mais que ela merecia. Todos os dias eram dia da Mãe. Porque quando não lhe fazia nada disto, eu lhe fazia rir de coisas sérias que eu não brincava, lhe alegrava o ego de ir mais além do que ela mesmo tinha imaginado, lhe provocava um babar de satisfação quando por portas e travessas alguém lhe era simpático e lhe me elogiava. Todos os dias eram Dia da Mãe.
Depois, cansada de coração fraco, torturada de não ser feliz nos últimos anos porque o chão que lhe segurava os pés não lhe pertencia, lhe levaram num dormir que não deu em acordar e lhe repousaram num canto inesquecivel da minha memória, onde lhe trago em cada instante.
Um dia, Mãe, eu te vou levar onde tu foste feliz! promessa do teu filho, que por agora vai pedalando pelos caminhos sem rumo, sem tempo, sem fim.

Sanzalando

29 de abril de 2010

renascer ou talvez não

Tento esconder o meu pudor, esquecer o passado e reinventar o meu corpo, desta feita na perfeição e proporcionadamente num conjunto que seja perfeito. Sinto a força nos braços, não é o que era mas também não foi nunca grande coisa, as curvas do corpo não foram esculpidas num ginásio mas arredondas em roda de amigos, o passado não foi destino mas apenas uma fracção da vida. Perder o pudor para quê? Fugi por amor, um qualquer dos tantos que já perdi. Corro por amor, um tonto corre por coisa nenhuma.
Seja como for, sinto as minhas mãos na tua cintura, mesmo que ela esteja para lá da linha que nos separa. Ouço as tuas palavras mesmo quando sei que estás calada.
Na verdade nem o passado está comprometido nem o futuro é comprometedor.
Temos as nossas vidas que às vezes se cruzam num xadrez que um dia será padrão, tema, divergência na conveniência ou apenas uma forma de estarmos juntos num alegre sunguilar, debaixo duma mangueira ou mesmo só à torreira do sol a recordar todos os tempos que não passamos juntos.
Um dia renasceremos um para o outro. Há quem tente dizer que talvez não e eu teimo em mostrar que talvez sim.
Pois então, vou fazer mais como para saciar esta sede que te tenho?

Sanzalando

25 de abril de 2010

um plano B

Faz conta cheguei, assim mais ou menos feito naufrago, a uma ilha deserta. Me repletava a fome e o frio num encher de raiva que até me perguntei porquê era eu e não outro dos biliões que havia na terra. Mas olhei para todos os lados e só lá estava eu por isso não tinha nem resposta para me dar. Me calei num quase rebentar de raiva, procurei qualquer coisa para matar a fome, umas folhas que quase pareciam as costelas de Adão, mas não tinham os recortes, construi um refúgio e lentamente comecei à procura doutras respostas. Já tinha comido umas ervas que me sabiam a cebola, já tinha construído uma cabana e já tinha reconstruído a pouca roupa que me sobrava, pelo que fiquei com tempo para ter tempo para pensar em mim.
Me sentei na areia da praia por onde tinha chegado vindo a nado e aos rebolões.
Olhei em frente e tentei perceber o que é que tinha acontecido e só tinha uma resposta: é passado, olha no futuro!
Acordei do faz de conta e decidi que um dia vou ter que ter um plano B.


Sanzalando

24 de abril de 2010

me de mim

Me olhas e me vês de olhar triste?
Me ouves soluçar num silêncio de dor?
Me sentes presente na ausência de existir?
Não!
Todas as forças tentam matar este meu amor, mas elas são gingubas de vida que após serem bem torradinhas até que ficam bem com uma birra loira estupidamente gelada bebida com os olhos frente ao zulmarinho a medir a distância que me separa do teu perfume de cacimbo nas madrugadas de insónia.
Assim, me podes continuar a olhar, a ouvir e a sentir porque mesmo que eu esteja distraido eu eutou aí a teu lado num qualquer lugar.

Sanzalando

22 de abril de 2010

Me perguntam... eu respondo

Foi assim numa surdina que quase nem deu para ouvir. Mas eu acho consegui captar a pergunta e como não sou de deixar joeira (papagaio de papel) no ar ao deus deixa andar que eu vou ali e já venho mas não volto, eu respondo.
Mas vou responder mais o quê? Ah, desculpa, me distraí a ver uns sonhos sonhados, a rever as imagens imaginadas e a ler as palavras que nunca recebi. Vou responder sim e sem mais delongas depois de eu refazer a pergunta.
Que é feito do teu escrever? Como se pode regar essa inspiração? Acho foi mais ou menos assim. Mais coisa menos coisa.
Estou de férias de sonhar, estou a descansar das imagens vividas na imaginação. Tu sabes, como ela sabe, que eu vou ali mas volto que nem io-io dos tempos de kadengue. Tu sabes que nem ela também sabe que o sonho vai voltar nas ondas do zulmarinho quando o sol ficar mais azul deste lado de cima da linha recta que é curva.
É, estou mesmo só na sombra a ver passar o tempo no quadriculado emaranhado da vida. Um dia destes, pegado o fio da meada, regresso à terra e te falo as coisas que eu queria falar com ela.
Deixa só apanhar um pouco mais de ar...
Beijos e abraços que eu já volto no dia que eu ainda nem sei.

Sanzalando

19 de abril de 2010

de A sem ser a Z

Letra
Silaba
Palavra
Frase
É tudo apenas o que me tem faltado.
Se calhar falta o Sol.
Se calhar falta o ritmo.
Se calhar falta a essência.
Se calhar falto eu.

Sanzalando

14 de abril de 2010

Divagabundeando palavras

Por trás de mim, murado em silêncios e ferrolhado em lágrimas escondidas, espero o que sempre de ti esperei, templo sagrado dum coração que bate para além dos meus segredos.
Por trás, escondido pela minha forma disforme de ser, existe a esperança de um dia ter-te como pensei que já te tivera.
Por trás de mim, tapado pelos panos garridos das dores agudas, graves ou silenciosas, não esquecendo as que se sofrem pelo silêncio obrigado dos castigos temporais que se esquecem mas não se perdoam, há um momento de quebra que não se dobra nem se retorce.
Por trás de mim nada ficará como dantes se um dia um porto de abrigo eu tiver no teu colo.
Fazes anos e eu penso-te no silêncio.
Choves-te e eu molho-me no abrigo da minha fuga.
Aqueceste-te eu queimo-me na sombra dum tambarineiro tão grande que já nem sei mais qual o tamanho que ele tem hoje.
Por trás de mim... só podes ser tu.


Sanzalando

13 de abril de 2010

escape de ideia

Tentei dar voltas ao tempo e o tempo deu-me voltas a mim.
Tentei apagar a memória e a memória se avivou.
Tentei saber o que não sabia e assim continuei.
Por mais voltas que eu tente apagar-te mais continuo a querer-te.
Se não te falo, logo alguém me aparece a falar de ti como que a fazer-me ciúme.
Se não te penso, logo aparece uma fotografia a dizer-me que estás ali, à mão de semear, formosa como sempre e eu desperto-me em raiva de não ter forças ainda para te poder abraçar.
Um dia... sei lá quando, agarro em todas as palavras que te dirigi, em todos os ventos que te soprei, em todos os tempos que te desejei e junto tudo num caderno de trazer na mão, para te entregar e ficares a saber de mão própria que te quero.
Depois, o tempo dirá que tempo fará amanhã.

Sanzalando

11 de abril de 2010

indisconfiável domingo

Me sentei e disse:

- é este domingo um dia indesconfiavel para regressar e derramar as minhas letras transformadas em palavras que o vento, as lágrimas, as dores sofridas na solidão, o inchaço que desenformou a minha cara numa assimetria disforme, não levou

Iniciei-me pelo gesto fingido de roer as unhas, vício que não tenho, hábito que nunca sofri, ao mesmo tempo que verifico se a minha mímica facial já é o que era e olho como que esperasse que as ideias se derramassem no papel, que já não uso, como uma mancha de tinta que se vai organizando em palavras sentidas no sentido possível de as ler coerentemente. Mas o papel teima em ficar branco. Imaculado.

Afinal de contas parece que ainda não é este o domingo indesconfiavel de regressar.

Penso no teu tempo, no teu perfume, na tua música. Penso-te e continuo de papel branco. Foges por entre pensamentos, rodopias por entre olhares que te deito num enamorar calado de ternuras.

Hoje é domingo, vou vestir a roupa mais bonita, vou olhar o mar e desde aqui vou-te acenar com um adeus de mão num movimento de quem te está a chamar.


Sanzalando

2 de abril de 2010

por aqui...

...nada de novo. apenas um vazio de letras, ideias de conceitos. pelo sim pelo não, nem maiúsculas aqui entram. digamos que entrei de férias sem papel assinado nem consentimento consentido. me ausentei apenas daqui, pelo menos de cabeça que o corpo esse já tá como tá e não vale a pena insistir com ele. verga-se no esforço, dobra-se a dobradiça que não é quebradiça mas que doi que até a gente diz xiça.
como vês, por aqui está tudo mais na mesma, que quer dizer está é pior que não vale a pena nem gastar letras, palavras mudas e pontuação virgulina.

Sanzalando

1 de abril de 2010

planície de mar

deixo deslizar os olhos como se eles fossem um barco, navego por entre ondas de ideias, ventos de calemas, sonhos de criança.

Sanzalando