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A Minha Sanzala: Junho 2013
recomeça o futuro sem esquecer o passado

30 de junho de 2013

vou conseguir, eu sei

Deitado na areia de mil cores olho para longe e me mentalizo: eu vou conseguir! Faço exercícios de aquecimento com os olhos, olho para o esboço de músculos que definem a minha forma projectada na areia. Eu vou conseguir, repito. Mas se por acaso eu não conseguir faz-me um favor, chora muito o que te apetecer, mas não brigues comigo pelo facto de eu ter tentado e não ter conseguido. Se te apetecer rir, podes rir, rir com vontade, mas fica sabendo que eu tentei. Se te contarei coisas a meu respeito não te esqueças que quem te está a contar acrescenta a sua versão, porque a minha é mesmo só a ter conseguido ou tentar conseguir. Se me criticarem, faz favor me defender, foi porque não tive sorte de não conseguir. Eu tentei e vou conseguir. Eu sei, mas te quero preparar para todas as circunstâncias, não vás pensar eu sou um demónio que tentou a vida toda ser boa gente. Eu vou conseguir mesmo que eu tenha de derramar alguma lágrima, mesmo que o meu nadar seja num verde lágrima em vez dum zulmarinho.


Sanzalando

29 de junho de 2013

um dia, qualquer dia

Sentei perto do zulmarinho. 
Doutro zulmarinho que não é este que me recebe todos os dias. Foi outro mesmo distante de faz tempo eu não me sentava ali a lhe olhar. Este não tem limite a tal linha do horizonte, este termina mesmo na outra margem. Foi aí que estive sentado a lhe olhar e lhe ver os peixes a nadar rentinho à lama duma maré vazia. 
Conversava porque não estava sozinho. Eu que estou habituado na distância me adaptei a estar pertinho e falar. Gaguejar se calhar. Soletrar palavras percebíveis dum faz tanto tempo não te falava e não te ouvia. Falámos e compreendemos e talvez um dia, outro qualquer, te faça sorrir e consiga ver o brilho nos teus olhos. 
Hoje, perto desse zulmarinho, ainda não consegui ver com olhos que não tenham memória. Um dia, qualquer dia, quem sabe...


Sanzalando

CAMINHAR PARALELO

Sanzalando

28 de junho de 2013

embevecido

Embevecido olho lá longe, para lá da linha recta que é curva e que lhe chamam de para lá do horizonte. É que ontem falei com conterra que fez aniversário e lhe senti a voz quente de tropicalmente sentida e comovida de eu me ter lembrado e possivelmente não ter falado da galinha que estava em cima da tv. Acho eu era galinha, mas ela dizia era águia. Pormaiores ou pormenores. Acho vou caminhar paralelo à tal linha de horizonte, pois se caminho perpendicular ele se afasta o mesmo que me aproximo e não me apetece brincar com esse tal de horizonte porque eu continuo com o meu e ele que fique com o dele.
Assim como que sendo eu, não sou um gajo de chamar a atenção, não gosto de ser primeiro plano e se houver quem me leve na mão eu vou. Não percebo sinais, mímicas, olhares e sorrisos. Terra na terra e seja o que eu quiser pois não vou em deduções que caem erradas. Não gosto de máscaras, de jogos escondidos, de ouvir só porque é simpático, de calar só porque é educado. Não sou bolo para ser provado. Não estou mais preocupado com o que pensam. 
Embevecido estou porque soube bem ouvir a voz tropicalmente sentida de me chamar conterra.
Assim como que sendo como que nem eu, se me levares na mão e me disseres as palavras todas sem segundos sentidos pode ser eu te acompanhe só até ali, sempre paralelo à linha do horizonte onde um dia eu vou chegar mesmo que tenha de zerar, de fazer um resert à memória, ao sentimento e ao esquecimento.
Embevecido, acordei o sonho adormecido que estava em mim... e entrei em modo verão!


Sanzalando

27 de junho de 2013

ouvindo o mar

Ouço a tranquilidade do respirar do zulmarinho, espraiando-se sobre a areia, calmo, sereno e preguiçadamente. Aproveito para escrever o meu diário nas páginas brancas da memória, onde tantas vezes perdi pensamentos, desejos e palavras, que nunca me arrependi de ter dito, excepto as vezes em que sim.
O perfume da maresia, como que afoga os segredos e os leva tão profundamente para os buracos negros da memória, que penso estou vazio e de consciência tranquila.
Rabisco mais umas outras quantas palavras nas páginas brancas da memória e me pergunto porque  me complico por ter de sonhar sozinho? Não me cansei de tudo nem do que tanto quero. Rasuro e me pergunto porque às vezes escurece durante o meio dia? Também há eclipses e elípticas que não são noites nem círculos imperfeitos, são isso mesmo, elípticas. Tenho que ter explicação para tudo?
Ouço a tranquilidade do zulmarinho e de cabeça mergulho nele e respiro suavemente e mesmo que chore sem parar não tenho motivo para isso.
Ouço-me respirar, tranquilamente


Sanzalando

26 de junho de 2013

mesmice

Me sentei abrigado nas rochas que limitam aqui o zulmarinho, parece lhe apertam para não fugir. O vento, me disseram era levante e eu só me apetece é que fosse deitante para lhe acompanhar e me deixar envolver nos sonhos, nas imaginações e devaneios duma criança cheia de futuro que já não sou. Tem momentos que parece que tem gente que me obriga a ter significado para mim mas não passa da mesma mesmice e eu passo ao lado, abrigado do vento. Tem gente que me assobia que parece quer a minha admiração o meu respeito, o meu amor e sei lá mais o quê e desconcegue por completo porque é a mesma mesmice.
Essa onda ai que quase me ia molhando da cabeça aos pés me acabou de dizer que quem nasceu para ser conhecido nunca será amigo, quem força paixão nunca terá amor.
Olha essa outra que parece é maior que a anterior. Ela me disse que não precisa lutar. Eu mesmo consigo esquivar sem me mexer.


Sanzalando

25 de junho de 2013

NO FIO DA NAVALHA

Sanzalando

conversando

Caminho ao longo zulmarinho. Me disseram é verão e verão é para caminhar ao sabor da maresia, salpicado de sal faz de conta estou para lá da linha que eu vejo daqui e que cada vez que parece eu me aproximo ela se afasta, parece foge de mim.
Desde aqui te vou contar um segredo. Guarda e faz de conta eu nunca te contei. Tenho medo de um dia eu deixar de ser tu e passar a ser você. É, parece sou parvo, mas é medo de ter esse medo que me assusta em cada passada que dou e que fica marcada aqui na areia. Não sei ser você.
Aqui na bordinha do zulmarinho, às vezes lhe pisando outras vezes salpicado não tenho medo de me fechar na minha cabeça e de parecer o mais difícil de mim. Não perco a curiosidade das coisas, não esqueço os lugares que visitei nem os que ainda um dia vou visitar, nem que seja só de imaginação assim como conhecer pessoas que podem ser muito lindas por dentro, muito lindas por fora ou ter ambas belezas.
Aqui, na borda do zulmarinho, salpicado de lágrimas desse mar eu te digo acho que o eu te amo foi banalizado como se chamar de amigo a um qualquer conhecido.
Daqui, acabo de me sentar e ver o fio da navalha que me separa da loucura do ter perfeito juízo de mim.



Sanzalando

24 de junho de 2013

faz vento

Faz vento dum qualquer ponto cardeal ou papal ou sem credo nenhum. Me enerva, apenas este vento. Me transtorna por vezes. Se calhar é da lua, também! Me irrito e comigo mesmo grito na procura das palavras que transformem o meu pensamento nalguma coisa perceptível. Pela verdade e não mais que a verdade eu sei que o tempo não pode ser detido, preso ou recuado. Quer eu queira quer não, o tempo passa, como passam as palavras que falo. Tudo é perdido excepto as que ficam na memória. Me fecho entre paredes de palavras abrigado do tempo que o tempo passa e as leva, solitário, sem estrada e sem pontes, por onde caminho.  Palavras, me disseram, leva-as o vento, palavras digo escrevo sentimento que o vento mas tira sabendo mesmo que eu não desisto em nenhum momento.
Faz vento no zulmarinho e eu abrigado num muro de palavras me transtorno em mudo calado pelo silêncio silvado do vento.


Sanzalando

23 de junho de 2013

nem

Sentado dentro do zulmarinho, algumas vezes derrubado por ele num rebolar de brincar, me deixo esquecer a vida que tem para lá daqui. Ela é mais complicada que a vida daqui, é mais complexa que a daqui. 
Esta não tem complexos nem conflitos, sem reflexos e gritos e ainda dá para rir mesmo que entre água na goela. Aqui não preciso fuzilar pensamentos nem calar silêncios mentais, não perco as forças e não faço planos, não tiro tangências nem calculo casas decimais, não declaro nem amarro os meus braços, nem beijo, nem me encurralo, não brigo, nem me estranho.
Sentado dentro do zulmarinho, aproveito as ondas para dançar sem ter ar desengonçado nem outras imperfeições, danço amor perfeito de descontracções.


Sanzalando

22 de junho de 2013

palavras apenas palavras

Junto ao zulmarinho, onde descomplico as ideias, descodifico os sonhos e busco as memórias, recebendo em troca um ar que vem dum sul que nada tem de imaginário mas muito de saudade, tento escrever para mim, num papel onde possa guardar tudo aquilo que sinto, nem que seja só para mais tarde recordar. Mas escrever não é atirar palavras pelas linhas e conseguir uma coerência, não é branquear lágrimas sofridas ou gargalhadas bem dadas, não é juntar letras sem cor com outras garridas. Eu podia começar a escrever o quanto tá difícil passar cada dia, apagar a rotina ou rascunhar conversas de trabalho, se tu não me sais da cabeça, se a tua chuva são as minhas lágrimas e os teus trovões são os meus palavrões.
Eu não escolhi ser assim, eu não me imaginei ser assim.
Eu podia escrever palavras de paixão, podia declamar um poema com letra em chamas e emoção em cada letra. Mas na verdade as palavras mesmo assim atiradas não são perceptíveis na minha imaginação.
Eu escrevo nas linhas do papel branco como se as minhas palavras fossem os meus sentimentos ou que estes estivessem fotografados em cada frase, acento, vírgula ou ponto final.
Mas afinal as palavras gastas quase rasgam a folha de papel para onde atiro as palavras sem nexo.


Sanzalando

21 de junho de 2013

as minhas palavras

Nem sol, nem frio, nem vento nem luz de dia claro. Caminho na areia, paralelo ao zulmarinho, como quem passeia para lado nenhum vendo coisa alguma. Não é hoje que vou dar uma coloração à minha pele que vai continuar pardacente como quem fica fechado num bunker de realidades, enterrado num profundo fundo falso de imaginações.
De verdade não é fácil falar comigo, não é só abrir a boca e deixar sair as palavras que são corpos de letras sentidas e sofridas numa alma depenada por ventos e tempestades tantas vezes imaginadas e não realizadas. Traduzir o que sinto. Tantas vezes os sentimentos são um batido de bagunça, uma salada de legumes e tubérculos cozidos e crus que a memória tempera com azeite e sal. Pôr isto em corpo de palavra. Ainda fosse um desenho teria a forma de lágrima ou de piscar de olhos ou de olhos de enganar. Fosse um xingar e teria uns asteriscos e rabiscos associados a um pi que não valeria 3,14. Fossem de amor e seriam corações flutuantes ao vento da aragem provocada pelo sorriso de gente feliz.
De verdade, as minhas palavras são desenhos animados, às vezes drama, outras comédia outras sem senso. Umas suicidas e outras sem tinta, tantas são as palavras com que converso comigo. Num texto normal as minhas palavras valeriam um zero quadrado, na minha boca valem o que eu lhes dou de valor, umas vezes com amor, outras vezes apenas com memória e outras ainda apenas palavras.
As minhas palavras às vezes são surdas ou com sentimentos inventados por quem as ouve por de trás do biombo onde me escondo quando caminho na solidão. Outras vezes têm tanto sentimento que até passam bassúlas entre elas e tropeçam em rasteiras que nem sei o que ia a dizer.
As minhas palavras valem apenas o valor que lhas dou.


Sanzalando

20 de junho de 2013

pés no zulmarinho

Pés no zulmarinho, eis-me sentado numa pedragulho dum quebra mar a olhar para lá do que a vista alcança. É hoje que acho te vou escrever a carta que tantas vezes adiei. É hoje te vou contar os meus ais, os meus medos e segredos e outras coisas mais. É hoje que vou, em caligrafia de escola antiga, que vou rascunhar o que sinto, os que senti e o que juro sentirei.
Chegou a hora de ser claro, de contar tudo, o amor que nasce em cada acordar de mim, da saudade que cresce a cada minuto passado longe de ti. Chegou a hora de eu ficar tranquilo, desafogado de tantas palavras guardadas, de segurar este enorme amor que me nasceu contigo faz milénios da minha vida.
Sinto cada palpitar do meu coração e acho chegou o momento de te dizer, por carta, o que sempre adiei.
Tu não mexes comigo, tu torturas-me por não estar contigo!
Eu não me escondi, tu não fizeste o sinal na hora certa, no momento combinado.
Te amo desde que nasci e vou fazer mais como?
Tivesse eu um lugar reservado numa cadeira ao lado de ti...
Aqui sentado de pés no zulmarinho me esqueci do que tanto tinha para te dizer hoje.


Sanzalando

19 de junho de 2013

Me deu saudade


Me deu saudade e fiz regressão sem hipnose a Maio de 2006, quando nasceu Árthemis nesta tua Sanzala e sorri. Já nem lembrava bem. Sabia que tinha sido próximo ao prémio Camões de Luandino.
 Revi os primeiros posts, o primeiro

Entre o mar e o mar vive o silêncio 11/05/2006


O segundo curiosamente se chama NÂO e é sobre a Palestina… me recordei porque.

Seguiram-se outros:
Kuanza
Estudo a vermelho 1 e 2 3
Utopia
Complexa periferia
Quero ser camaleão
The shou must go on

Abriste a porta da tua Sanzala, convidaste-me para entrar e eu entrei. Vivo aqui até hoje, tenho esse privilégio. Entro e saio quando quero, por vezes asseguro férias, ameaças de desistência e outros amuos que eu adoro contornar.
Faço mesmo aquilo que me dá na veneta. 
Chego tarde, chego cedo e faço até de conta que nem estou cá. Não pago condominio, não pago IMI e usufruo da brisa fresca e segura que sempre circula por aqui.
Sou sanzaleira de visita, que fica mais de 3 dias e para sempre, sem mala, sem bagagem, só mesmo com a imaginação debaixo do braço.
 Nunca estabeleceste limites, nem preferências. Nunca me deste manual de instruções e muito menos regulamento.
Ensinaste-me a viver no ciberespaço e a viver com o entusiasmo de partilhar.
Criamos outros espaços, inventamos-nos em outros nomes…
Já rimos muito, partilhamos alegrias e tristezas, reflectimos ainda mais e um por vezes é a consciência do outro – tás mais magro! me dá boleia no ferrari! mas quem é o Gervásio?
Aqui já publiquei poesia, imagens, homenagens, colecções e loucuras… até fiz a história do pai natal. eheheh
Quando é preciso uma mensagem e um apoio mais rápido, não vamos no psicólogo, enviamos mesmo mensagem no telemovel.
Descobri a literacia digital.
Brinco com as tuas palavras já brincadas. Amamos a língua portuguesa por isso a reinventamos. Temos em comum o prazer de explorar as palavras de forma estética e afectiva. Adoramos inventar palavras. Tenho uma pasta denominada JOTACê onde acumulo as tuas fotos, mesmo as improváveis e brinco com elas também, divertindo-te na sua desconstrução e multiplicação desgovernada.
O mundo contigo é mais azul.
Por vezes me chega a mensagem: Vou de férias toma conta da sanzala. E eu tento vigiar, governar e proteger como se fosse minha.
Hoje contei os anos para trás e já lá vão 7 (número mágico). Senti que teria sido por esta altura do ano que tudo teria começado- quando florescem os jacarandás. Enganei-me, foi um pouco mais cedo, maio.
Como todas as sanzalas, por vezes é necessário ordenar o território, quase operação urbanística. Foi o que fiz, para ser mais fácil a procura, etiquetei Árthemis até metade. A outra metade mais recente fica para quando tiver tempo de recordar mais um pouco. Por incrível que pareça alguns dos meus ficheiros estão mesmo só aqui e alguns posts já tinha esquecido.
No ordenamento reli textos e revi imagens.
Continuo sorrindo.
Reforcei cores na memória e no coração.

Obrigada Jota
Árthemis

Sanzalando

18 de junho de 2013

ao meu pai

Me sento aqui pertinho do zulmarinho a olhar para dentro. Está frio de vento norte e a maresia sopra ao contrário. No olhar para dentro me lembrei que tem 52 anos feitos hoje que não te ouço dizer palavra. De verdade mesmo verdadeira é que não lembro mais como é que era a tua voz, como era a tua figura e qual figura eu fiz. Sei mesmo é de ouvir contar, porque só sei de mim que era Domingo perto do almoço quando o Dr. Carneiro foi na casa da gente dizer qualquer coisa que a mãe gritou e hoje ainda não consigo ainda esquecer o grito dela e o seu carro preto a sair paralelo à linha do comboio. Desqueci tudo tanto para trás como para a frente e acho só acordei anos mais tarde. 
Desculpa só se tem momentos que te pareço fraco, mas tem vezes que eu precisava de ti, meu pai, me dissesses as horas, me apontasses o norte ou simplesmente me passasses a mão pelo cabelo. 
Desculpa pai se tem alturas que parece eu não sou teu filho, como tantas estórias tuas que me contaram.  Acredito que também tinhas defeitos mas só me contaram as tuas coisas boas. Me contaram que andavas sempre de gravata, no bolso diga-se, porque não tinha nenhuma lei a dizer que ela era para ser usada no pescoço. Me contaram que ficavas doente quando qualquer Benfica perdia e não saias nem de casa. Me contaram tantas coisas bonitas e não tenho a tua mão para segurar a minha loucura de ser actual, de não ter a tua mão para escrever as minhas palavras e o teu talento para soletrar as notícias que eu gostava de dar ao mundo.
Um abraço, meu pai!


Sanzalando

17 de junho de 2013

navegando

Saltito de pensamento em pensamento, como se de ondas do zulmarinho se tratassem. Brinco comigo, com a memória e com a estória. Já dei pulos de grande altura sem tirar os pés do chão, já mergulhei em grande estilo, num encorpado desastrado seguido de estatelado, já fui herói e pelintra, já pensei vidas e verdades inexistentes ou irrealizáveis. Já joguei à bola de rua sem saber que elas saltavam porque tinham ar e rolavam porque eram redondas. Já vagabundei por vários mundos, coloridos e escuros, pardos e cinzentos, garridos e folclóricos.  Já me parti em tantos que em tantos bocados não sobrou um de jeito.
Saltito de imagem em, imagem, lutando contra monstros e com medo de me tornar num deles. Já saltei precipícios em que o maior precipício era eu. Já fui safado, feliz e assim assim. 
Já fui tantas coisas só a olhar para o zulmarinho e navegar dentro de mim


Sanzalando

16 de junho de 2013

um dia tem dia

Por aqui, soprado pelo vento, preguiçosamente empurrado por ele, protestantemente contra ele por fazer-me mover quando hoje seria dia de descanso. Eu grito que é só um dia. Um diazinho! mas lá vou eu levado pelo vento. 
Eu que não me surpreendo com coisas inimagináveis, excepto usar palavras caras de domingo, ao domingo, não sou um gajo frágil nem medroso de coisas ou pessoas, de palavras ou reacções, mas sim das brechas que se abrem nas velhas amizades, nos instantes surpreendentes dum silêncio que devia ser de ouro, me torno fraco na impaciência do deixa que tem de ser, no  detestável enigma do deixa andar.
Eu me movo soprado pelo vento, direito ao sul, para um lugar do pensamento onde não haja trevas para chorar nem cercas para saltar. 
Levado pelo vento me torno cheio de vazio, me escureço de luz apagada e com todas as letras digo que hoje é dia da preguiça. Chiça!



Sanzalando

15 de junho de 2013

Reflexões facebokianas (24)

Quando me chateio fico mal humorado quem nem insuportável. JCCarranca reflectindo enquanto arruma a gravata, no cabide das gravatas

Preocupo-me mais com a consciência do que com a reputação. Porque consciência é o que sou e reputação é o que os outros pensam de mim. JCCarranca reflectindo enquanto relê o que escreveu ao longo dos tantos outros anos

O teu silêncio foi o teu pior choro. JCCarranca reflectindo enquanto pedalava

Me disseram que temos todo o tempo do mundo. Mas que me  adianta ter tempo, se não sei o que fazer com ele. JCCarranca reflectindo sem saber.

Amor pra mim é conhecer as melhores qualidades e os piores defeitos, e mesmo assim saber conviver com isso. JCCarranca reflectindo sobre rostos

Não pode existir recomeço sem um fim. E no fim das contas, ninguém diz adeus ao amanhã que não se sabe. JCCarranca reflectindo no meio duma confusão de gente

A preguiça é o único pecado capital que cometo. Ela não me deixa cometer os outros. JCCarranca reflectindo enquanto olha para uma rosa

E tudo se transformou num não. JCCarranca reflectindo enquanto espera pelo elevador


Sanzalando

14 de junho de 2013

por aqui

Por aqui, ao sol, sinto a maresia e refresco-me com a brisa que sopra vinda do zulmarinho, enquanto tento vomitar palavras que digam o que a alma sente, sem ter necessidade de pensar em como me sinto. Poesia, me disseram. Quem me dera ser poeta. 
Filosofia já chamaram, fosse eu filósofo. 
Enfim, na verdade é que já me afastei tanto de mim que já nem me sinto saudade e quando olho para as estrelas não vejo já o brilho que via outrora.
Bem, parece que o vento tem de mudar de direcção, o olhar tem de mudar de visão e as palavras não podem ser vomitadas porque saem sem sentido, sem lógica e irracionais.
Por aqui, ao sol, projectando a minha sombra na areia de muitas cores poderia dizer que odiei o amor até me ter apaixonado e voltei a odiá-lo depois de me ter decepcionado. 
Por aqui, sentindo a brisa que sopra vinda do zulmarinho, decido seguir em frente à espera de encontrar o caminho que me leve até ao meu canto superior, ao paraíso de mim, à floresta interior ou a um simples jardim.
Por aqui me fico, assim.


Sanzalando

13 de junho de 2013

Praia das Miragens

Sentei-me na areia de mil e tantas cores e a fiquei a observar. Ela me olhou com cara assustada e eu tive a completa certeza de que ela não estava segura daquilo que estava a ver. 
Eu lhe olhava e ela me raivava em sons de pensamento, palavras impróprias de gente crescida, de gente miúda ou apenas de gente, saberia eu mais tarde. 
Achei eu que os pais lhe devem ter dito que ela começaria, uma dia mais tarde do que cedo, a amar e deixar que o vento a levasse ao sabor do coração. E lá foi ela, pensava eu ter chegado o dia, pedalando e deixando que o coração tomasse conta dela. O seus pais não lhe estavam ali a segurar o ombro. 
Quando ela percebeu que o meu olhar não se descolava, deu um grito tão alto que me deu até pena depois de recuperado do susto. Coitadinha daquela menina, sussurrei eu pensando que era já gente crescida, não sabe o que é amar. 
O aperto no peito aumentava, o amor em mim explodia ao mesmo tempo que sentia medo daquele olhar que me atirou e me matou por tempos indeterminados.
Mas ao olhar para aquela menina, que mesmo com medo me dobrou a espinha, eu entendi o que deveria fazer. Seguir em frente, com todos os meus medos nas mãos, coragem no olhar, mostrando para vida que eu sei viver, mesmo que receba em troca um nada, um sorriso frouxo qualquer ou uma malcriada resposta transformada em silêncio.
Mantenho-me na praia sentado a olhar para o sorriso que me ficou na memória, já sem estória, já sem brilho e já gasto de tanto ser olhado.


Sanzalando

12 de junho de 2013

Agora já era tarde





Sanzalando

afinal tenho medos

Molhados os pés no zulmarinho como a que me ligar ao outro lado de lá, me deixei embalar nos sonhos de sonhar acordado, de ver o futuro imaginado e sentir os perfumes cheirados.

Me perguntaram do que é que eu sentia mesmo medo. Eu me calei porque não encontrei resposta na ponta da língua. Parei, pensei, debrucei-me sobre pensamentos e palavras já ditas como que a procurar uma resposta das respostas já prontas e nada. Vieram-me à cabeça palhaços, monstros, animais e sentimentos. Mas nada de sentir medo. Soltei um tenho medo da solidão, apenas para não ficar calado. Acho mesmo foram só os lábios que falaram. Nem cérebro nem coração tiveram, tempo de me calar.
Olhei em redor e vi gente carregada de solidão, olhos tristes de desconfiança, crianças de mente poluída e senti um aperto no coração. Senti medo. Medo de futuro!
Continuei molhando os pés no zulmarinho, ligado ao outro meu mundo, e desconsegui soletrar palavra que fosse, as barbas longas cresciam num ritmo nunca visto, os homens cansados sentados a um canto. Senti medo. Medo de futuro!
Agora já era tarde para coração e cérebro mandarem na minha boca. Já não tinha a quem responder porque já não tinha futuro mesmo caminhando no zulmarinho.
Olhei para o lado e vi uma criança caminhando enquanto cantava. Sorri e pensei. Tenho medo de futuro mas ainda tenho futuro mesmo que caminhe por caminhos tortos.





Sanzalando

11 de junho de 2013

andando e esquecendo

Percorro estes kilómetros de praia como se caminhasse por pensamentos e sonhos, como que voasse por ideias e desejos, assim sem tropeçar em realidades e amarguras, em lágrimas e dores, em mágoas passados e futuras, em rosas e ou outras flores. Esqueci livros, novelas e filmes. Esqueci quem sou e quem podia ter sido.
Percorro sempre ao lado do zulmarinho, mas pelos vistos, do lado errado.
Esqueço-me de figuras feitas e fantasias impossíveis, de hábitos e manias e de outras velhas vontades. Me conta o presente, o mudar-me, ser diferente, restaurar-me em sorrisos e simpatias e poder ser um teu novo antigo amor.
Percorro o zulmarinho do lado de cá, mas pelos vistos é o lado errado, mas é o lado que escolhi.
Esqueci palavras, frases e poemas decorados, esqueci tudo o que te poderia dizer, as músicas que gostavas de ouvir. 
Tudo porque sempre ouvi que não há uma segunda chance quando escolhemos o lado errado que a nosso ver continua ainda a ser o certo.


Sanzalando

10 de junho de 2013

mergulho de frio

Mergulho no zulmarinho me esquecendo que hoje o sol resolveu não sair da toca. Já sei vou tremer parece é caniço em dia de vento quando sair. Mas não faz mal, aí eu penso em ti e a assim não te esqueço e aqueço. Porque eu sei que tu és que nem eu, não desistes, porque a tua loucura é assim como que nem a minha. Tremendo eu me lembrarei que vais fazer estória que não me sairá da memória, em chinês ou alemão, eu me lembrarei do teu nome quando podia ter escolhido tantos outros nomes, escolhi o teu sorriso sem saber que um dia o ia perder. Um dia, vou conhecer quem te faz sorrir quando olhas ao espelho enquanto lavas os dentes e lhe vou dizer que ele é um sortudo e não lhe vou ficar nem com raiva. 
Mesmo quando eu tremo aqui neste dia que o sol não saiu da toca, cantarólo a nossa música, se é que algum dia tivemos alguma, assobio como a te piropar, te beijo como se aqui estivesses. É um dia sem sol, mas amareleja na minha alma, porque consegui ultrapassar todas as barreiras que ergui para me proteger de coisa nenhuma.
Não, não vou esquecer que fui feliz nem infeliz, mas vou-me lembrar mais vezes que um dia, lá na frente eu vou voltar a amar o chão que piso, tremendo de frio ou de doença.
Mergulho no zulmarinho como que para me purificar e um dia receber a tua cara que não deve ser igual àquela que ainda tenho na memória, porque essa o tempo não desgastou a as infelicidades não enrugaram porque não existiram.
Mergulho sabendo que vou tremer porque o sol hoje não saiu da toca e tu deves estar a pensar que eu sou incrível. 
Digo eu arrependido de ter mergulhado.


Sanzalando

9 de junho de 2013

Num Domingo

Domingo, parei no tempo! Estou num norte, pensamento num sul, entregue à sorte do mar azul. Onda sim, onda não mergulho em mim e me lavo em saudades de ser criança e brincar sem tempo de ser gente.


Sanzalando

8 de junho de 2013

NINGUÉM É PERFEITO

(clique sobre a imagem para ampliar)

“Mas lhe conheço e ele ri, às vezes
chora, mas é um raramente tão
grande que até dizem tem mau
feitio.”

Conheço os dois e lhes gosto,
por vezes nem os distingo.
Uma coisa garanto:
sabem dos gostares,
sabem sobre saudade,
sabem sobre desertos e savanas,
confidenciam com zulmarinhos,
desenham palavras no nosso coração
e ainda por cima falam doce
mesmo com mau feitio.
Ninguém é perfeito!

ÁRTHEMIS


 Sanzalando

morri, de amor

Tem coisa mais bonita que esse zulmarinho dançado num espreguiçar praia dentro? 
Pode ter que eu nem sei, mas lhe gosto de ver, gosto e depois fico a pensar coisas tão lindas que não sei nem palavras para dizer. Um dia vou inventar palavras para dizer que o mar me faz feliz. Felizmente tem marfeliz. E pronto, já falei. 
Mas aqui que nem pertinho do zulmarinho faz de conta eu morri. O que eu ficaria com pena mesmo é de ter o coração também parado. Sem coração não se pode nem amar. É tão bom morrer de amor, sentir aquele sentimento que parece absorve todo o ruído e sobra só o silêncio. Depois alguém vai dizer que pena quando acaba. Mas nunca acaba... fica cicatriz e ela é permanente. Só quando o coração pára é que dá mesmo para terminar tudo. Afinal de contas eu não morri, o coração não parou e eu amo, nem que seja a saudade de tanto amor.


Sanzalando

7 de junho de 2013

queria tanto

Tantas ondas a esbranquiçar este zulmarinho de sabor a mar. Eu aqui sentado sem ousar meter-me nele e nadar para sul, sempre sul até um norte destino e entregar-me como nunca me entreguei, gastar-me como nunca pensei, sentir o frio tropical aquecer-me a alma como uma queimada ardendo no estômago, encosta acima, deserto abaixo.
Queria gastar todo o amor que tenho, sorrir sem parar, gargalhar até. Queria ter uma explicação para estar aqui sentado a ver as ondas a esbranquiçar esse mar, mas não tenho.
Um dia me disseram que as nuvens não eram tufos de algodão e perdi a ilusão de um dia nadar em voo picado e aí chegar.
Queria tanto não ter medo e segurar-me num sonho e com ele voar céu acima por esse mar.
Queria tanto mas fico aqui sentado aparvalhado a olhar esse mar de zulmarinho.



Sanzalando

Fotocuriosamente









fotos da internet
Sanzalando

6 de junho de 2013

sopra vento e cá estou

Sopra vento forte, que não sei se é do norte ou outro lado qualquer, porque de pontos cardeais sei pouco e pouco mais. Mas que me despenteia isso é mais certo que uma conta de subtrair por zero. Mas mesmo assim me aguento aqui firme de olhar em futuro, sabendo que apesar da saudade ainda dá para viver até amanhã, pelo menos. Já tentei a sorte jogando na roleta e mais leve sai que borboleta a voar aqui e a provocar tempestade do outro lado do mundo. Já tentei tudo mas nada saiu certo excepto a certeza de ter tentado.
Exigir amor, não posso!
Exigir respeito, tem horas e alturas.
Usar o charme é pouco tempo de uso. Preciso usar o saber para me aguentar.
Enfim, sopra vento forte e cá me vou aguentado, como diz o outro, com a cabeça entre as orelhas e o pensamento dentro dos limites que me impus. 


Sanzalando

5 de junho de 2013

cores

Sanzalando

de autor não identificado

me sentei e expliquei

Me sentei a olhar o zulmarinho. As nuvens me escondem o céu azul e lhe dão um tom que de marinho parece não tem nada. Vais ver são os meus olhos se cansaram de ver coisas bonitas.
Me sentei e matuto em coisas bestiais e outras bestas que são até de chorar. Mas não solto nenhuma lágrima, pois não quero que as outras pensem eu tenho a torneira aberta e queiram ver a liberdade também. Mas as coisas bestiais sobressaem. Eu conheço quem diz estas palavras e sei que lhas vai buscar na imaginação e qualquer coincidência com a realidade é isso mesmo: coincidência! Se ele fosse que nem as palavras que aqui debita parece está a falar comigo, eu acho ele estaria enloucado num isolamento fatal. Mas lhe conheço e ele ri, às vezes chora, mas é um raramente tão grande que até dizem tem mau feitio. Lá isso é verdade, não é redondo nem trinca espinhas, tem feitio dele mesmo, meio marreco de não saber andar direitinho que nem vassoura nas costas lhe vale. Tem mau feitio porque devia ter barriga grande, camisa garrida, cabelo tratado nos melhores tratamentos, falar só quando acha é necessário, mas ele não, fala só porque sim e coisas e tais. Isto sou eu a falar que conheço bem o autor destas palavras ditas com voz de falar na rádio parece é trabalho. 
Me sentei a olhar o zulmarinho e perguntei-me, coisa besta, porque as pessoas que lhe ouvem pensam ele está a falar que nem para elas? Ele fala comigo que eu sou grande amigo dele assim desde infância que começou no nascimento dele. Ele fala assim porque lhe apetece dizer o que as pessoas estão com vontade de falar e desconseguem. Ele fala assim porque sempre ele falou assim, dizer coisas à vontade sem tema, direcção ou sentido. 
Me sentei a olhar o zulmarinho e fiquei a lhe escutar as palavras que ele fala tantas vezes que eu já nem sei mais o que é que ele falou antes.
Me sentei e expliquei porque ele hoje não apeteceu falar.


Sanzalando

4 de junho de 2013

sigo

Sigo por aqui como que em direcção a lado nenhum, sempre pertinho do zulmarinho que é o que me liga ao que me resta da memória. Não sei qual o caminho mas vou sempre em frente porque pior não devo enfrentar.
Sigo por aqui quando podia estar a ver tv, mesmo sem prestar qualquer atenção, podia estar a olhar para o teu retrato de memória, sentir o teu perfume de recordação ou somente ver-te passageiramente numa qualquer lembrança. Mas não, sigo em frente mesmo não sabendo o caminho, mesmo não sabendo que podem existir outros abraços ou carícias num olhar que me olha sem eu ver.
Sigo por aqui quando sei que podia ser a causa do teu sorriso, o planear do teu futuro, mas como não sei o caminho, sigo em frente até encontrar-me, nem que seja em lado nenhum.
Afinal de contas saudade ainda não é paga e não preciso saber o caminho para ela.


Sanzalando

3 de junho de 2013

depois dos quinza

Tem sol e não sopra vento. Perfeito dia para ir brincar na areia das mil cores, fazer construções de carros de areia, sereias, baleias e outras coisas mais que a imaginação conseguir pensar. É, quando eu tinha para aí uns quinze anos, pouco menos talvez, que o tempo passou e eu me esqueci de medir com régua e esquadro, em que aprendi uma palete de cores e coisas para embelezador a vida, para além das rosas e carícias, uns tons mais ténues e mais inofensivos, e, aos poucos, fui trocando por cores mais garridas, sofisticados sistemas carregados de lâmpadas, vermelhos, azuis e amarelos fios para que tu não me considerasses um chato. É, depois dos quinze anos entendi muita coisa que não tinha nunca parado para entender e lancei um olhar diferente.
Aos quinze anos descobri que já não precisava de ter o cavalo branco para ser o príncipe encantado nem esboçar o sorriso cínico de ser o esperto, o inteligente e o congregante para ser gente. Bastava ser eu mesmo, assim como nem tirar nem pôr. Consegui que olhasses para mim mesmo que tenhas dito para esperar. Não disseste é que eu tinha que esperar a eternidade. Mas acho que ao longo da tua vida foste vendo que uns tais principies de contos de fadas não eram mais que lobos disfarçados de cordeiro, outros cordeiros de poltrona a voz grossa, mimados e armados até aos dentes de príncipes de outras eras medievais.
Aos quinze anos aprendi a ver com o olhar e os olhos não me traem, que alguns problemas não são mesmo problemas.
Aos quinze anos descobri que ainda tinha sonhos para sonhar, realidades para realizar. Aos quinze anos aprendi que um dia, fores velhinha, recordar-me-ás como a razão que te fugiu e tub mesmo já sabias.
Depois dos quinze foram os vinte e outros trintas e quarentas e tantos cremes anti-idade depois que eu ainda aprendo que sendo igual a mim mais nada vou precisar. 
Timidez, medo e algum pavor foram coisas que não aprendi a perder mas no porão da minha memória, no alambique da destilação dos meus sonhos eu não me arrependo dos sorrisos que sorri e recordo os que não recebi.
Depois dos quinze, chegar aqui foi uma lição que me faz sorrir com sndes de lágrimas e alfaces de esperança.


Sanzalando

2 de junho de 2013

eus

Deves estar a pensar que eu penso em ti, todas as manhãs, todas as tardes ou todas as noites. Julgas que não faço faço mais nada. Na verdade, passeando no zulmarinho, eu penso em esquecer o que já te esqueci. Já sabes que o tempo é o melhor remédio, chega uma hora e se esqueceu o que se queria esquecer e depois é necessário fazer um esforço para lembrar. O contrário de antes. Sabes também que eu sou muitos. Há uma multidão de eus dentro de mim. Tenho várias almas e vários estados de alma. Sou uma criança, sou um velho, sou um sábio, um ignorante, e tu nunca saberás qual deles tens pela frente. Tem vezes que nem eu sei bem quem sou qual.
De verdade, sabes bem, que o eu que tens pela frente sempre se entregou de corpo e alma ao seu desejo. Mas num amanhã, numas três e um quarto de um dia qualquer inexistente, desapareceste como num conto de fadas e os eus meus maus sobressaíram, tendo-me até envergonhado. Hoje já nem me lembro mais porquê, só sobrou mesmo a cicatriz para eu me lembrar disso.
Afinal que é que foi que eu esqueci? Este marulhar me ensurdece a memória.


Sanzalando

1 de junho de 2013

sopra vento que hoje é brisa

Cabelo ao vento, hoje mais brisa que vento, aqui vou eu bordejando o zulmarinho com olhar de quem
não olha para coisa nenhuma. Uns dirão é convencido, outros chamarão de distraído e outros de mania de intelectual da outra galáctica. Na verdade eu quero mesmo é não ver, nem o tempo a passar quanto mais distrair-me com coisas terrenas que me poderão fazer perigar a minha solidão.
Vou olhando para dentro de mim e perguntando se é igual amar ou ser amado e ouço uma voz que li num sítio qualquer, que é tão importante a asa esquerda como a direita. Afinal de contas eu não mostro nem metade de mim, nem um terço do que sou, não por vergonha ou timidez, mas apenas porque não vale a pena. E o cabelo esvoaça como se um tornado soprasse na minha direcção.
É mesmo melhor me abrigar na sombra da solidão e navegar no escuro da noite pelas trevas dos sonhos, dos trovões imaginários e dos relâmpagos recalcados. 
Sopra vento que hoje é brisa.

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007