19 de janeiro de 2006

Uma estória verdadeira(42)



"Fio": Estórias à beira-mar

carranca
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Uma estória verdadeira (42) Hoje, 19:25
Forum: Conversas de Café
Lá se vai novamente pôr o Tico na estrada virada para o sul, destino Sumbe. Essa mesmo que antes se chamava Novo Redondo. Vais ver esta foi fundada por um alentejano. Primeiros quilómetros feitos e se vê logo que o mau bocado ainda está para vir. Se se afasta de Luanda e os buracos parece vieram todos morar aqui. Verdade mesmo o que te estou a dizer. Ou então são os buracos que estão a fazer uma marcha até Luanda e ainda estão por aqui. É que aqui a estrada tem mesmo muita falta de alcatrão. Se vê que nalguns sítios estão até a arranjar. Mas tem cada caverna na estrada que quase o esqueleto do Tico fica lá dentro. Mas o Tico Pajero é resistente e se vai aguenttando nas sacudidelas e abanões. Tá bem claro que a velocidade diminuiu para bem mais de metade. Aqui e ali se vão vendo Kimbos. Que pena mesmo não terem uma plaquita a dizer como se chama. Repito que não poderei um dia dizer que estive ali se não lhe sei o nome. Cada vez se vai vendo ao longo da estrada mais vendedores. Desta feita é carvão. Um dia não vai ter árvore aqui. Se nota algumas carecas bem grandes na mata. Vejo escolas e fico novamente contente. É mesmo aposta do Governo. Se atravessam rios. Uns maiores que outros. Nomes desconsegui lembrar. Vais ver é o Rio Kuanza Sul. Claro que esta foi piada para eu mesmo me rir de mim, mostrar-me que tenho imaginação. Em nenhum rio foi preciso usar barcaça. Ponte mesmo. E vejo que são mesmo novas porque ao lado estão carcaças de pontes que já foram isso mesmo. Entrada triunfal no Sumbe. Árvores enormes ladeiam a estrada. Somos recebidos por uma enorme antena. Vais ver é SISTEC. Quando regressar tenho de perguntar nos meus amigos.
Olha só, Cine Sporting e ainda por cima pintado de verde. Vais ver o espectador perde quando vai ver o filme. Sei lá, penso eu. Parque infantil com entrada parece é aqueles desenhos animados dos Filingstons. Muita nice mesmo. Velho edifício dos CTT todo arranjadinho que até parece é novo. Governo Civil é mesmo novo e bué de bem desenhado. Não lhe entrei pelo que não sei se é obra de arte ou não. Bonito é. Agora o rumo é marginal. Palmeiras de bué metros a rivalizar com a antena da entrada. Praia gostosa. Duas esplanadas novas que uma até roubou o nome mesmo lá no meu deserto e lhe chama de Oásis. Hotel frente à praia, olhar de futuro. Cidade pequena mas afinal o norte tem coisas bonitas. Gostei de te conhecer ó Sumbe e de ver a sua igreja que conhecia dos selos e o seu enorme vitral nas traseiras e parede ondulada na frente, com a sua torre sineira ao lado, mas afastada. Pena mesmo é que dá horas mas o badalo está amarrado pelo que se ouve apenas o esforço dele de chegar ao sino e se se espera o som em vão. Não fosse esta chuva parece é cacimbo e eu dizia aí nos cambas que ia dar um mergulho neste mar. Mas eles iam dizer já a seguir que não se pode perder tempo. Assim não lhes disse nada e seguimos directos à Canjala.

Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

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