30 de janeiro de 2006

Uma estória verdadeira(49)




"Fio": Estórias à beira-mar

carranca
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Uma estória verdadeira (49) Hoje, 18:17
Forum: Conversas de Café
Eu explico. Nesse cruzamento que mais não é que um ponto em que tem que se decidir se se vira na esquerda ou na direita. Eu votei na esquerda que é para não ser difícil ter de escolher, tal é o hábito. Ou outro decidiu que era melhor prá direita por ser mais seguro. A outra se manteve calada porque para ela era mesmo igual, o GPS dela não dava para tanto, nesse assunto estava às escuras. Mas escusas de estar a pensar que a dúvida chamada dilema era por causa de política que aqui isso não tem encontro marcado nem por marcar. O dilema foi mesmo pelo que te passarei a explicar tão direito eu saiba, assim de modos a que tu entendas a coisa tal e qual ela se passou.
De Benguela até aqui, umas centenas de quilómetros andados, ou será mesmo melhor se dizer umas centenas de quilómetros salteados? o gasóleo se foi gastando e como não tem área de serviço, com gasolina, gasóleo, ar comprimido ou em pastilhas, assim num virar de esquina, tão só mesmo porque não tem esquina, já que a viagem é sempre em frente, o raio do ponteiro do depósito do dito cujo combustível estava a dizer que ele caminhava a passos rápidos para o seco. Se o ponteiro falasse ele gritaria de secura. E até eu sei que depósito seco quer dizer que o Tico não anda. Havia uma reserva numa vasilha, ou coisa lá como é que se diz em inglês, de 20 litros, que estava na referida muito lá para trás sogra. Portanto se entrou no dilema de virar na esquerda e se seguir para o destino que era o Lubango, parar no Caraculo e se a bomba de gasolina estivesse aberta se atestava o dito cujo, e se estivesse fechada se metia a reserva e se andava com o que eu pensava que ia dar para chegar, ou então se virava para o Namibe, se andava os 45 quilómetros e se atestava e se voltava para trás e se seguia então para o Lubango. Sim, porque o destino era mesmo o Lubango porque no dia a seguir eu tinha de estar onde que foi mesmo enterrada a minha placenta, como manda a tradição que eu acabei de introduzir na minha família. Se queres ser feliz tens mesmo que uma vez passar o dia dos teus anos onde está a tua placenta. Se eu ouvi isto noutra boca e estou aqui a plagiar eu sei que não me vão levar a mal. É plágio por boa causa. Guardei para mais tarde o voltar a beber a primeira água que bebi.Aí, o Ti, que é o dono do Tico e lhe conhece melhor que eu e mais uma série de gente que está neste momento a querer dar já o seu palpite, decidiu mesmo que o melhor era virar na direita, fazer o Giraul seguir até ao Namibe, abastecer e voltar para trás. Quem cala consente e eu me calei e lá seguimos. Olha, deu para ver a ponte iluminada com as luzes que foram carregadas durante o dia pelos raios de sol que aqueceram a viagem da gente e ainda deu para carregar as baterias das referidas. Lhes contei e só três estavam a fazer como que greve porque não estavam acesas, vais ver se fundiram de todo e ainda não lhes viram para as virem mudar. Passámos nas hortas, vi a Quipola, atravessámos o Bero, que estava vazio, já que a Lua fazia o favor de nos mostrar alguma pouca coisa. Logo entrámos na cidade e vimos uma estação de serviço toda nova e toda moderna, mesmo como as que tem na Europa e noutros lados que aqui também tem, pensam o quê?! Pois é, temos gasolina, temos ar comprimido, mas gasóleo mesmo é que não temos. Foi logo o que ouvimos mal parámos à frente da referida bomba. Bem que estávamos a estranhar ver a da gasolina com bué gente e aquela parecia estava mesmo só à espera de nós. Armado em grande cicerone, como se nunca dali tivesse saído, mostrei onde é que ficava a outra bomba de combustível. Mesmo ao lado dos Bombeiros, onde antes era uma da Sacor

Passou um fim de semana. Tempo de retemperar forças, rever amigos,
sentir o pulsar do mundo no mundo real. Dizer coisas doces, abraçar corpos
amigos, saltar e pular na imensidão da areia que se deixa beijar por este
zulmarinho que trás o seu perfume desde lá do início dele. Aqui estou, sentado
na areia a vos contar as minhas estórias, ouvir as vossas estórias, embalar-me
nos vossos mimos. Obrigado, fim de semana, onde alguém levou falta de
comparência.
Sanzalando em Angola
Carlos Carranca

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