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Conversas à Mesa
PERTINÊNCIAS - um Programa de Rádio
- Pertinências 1 - Carlos Osório - Roblocks e os seus caminhos
- Pertinências 2 - Diagnóstico Dual - GRATO
- Pertinências 3 - "A Mulher (e as mulheres) segundo Fernando Pessoa"
- Pertinências 4 - Ir a Paris sem sair
- Perinências 5 - Prof. Carlos Fiolhais
- Pertinências 6 - Escritores algarvios
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- PERTINÊNCIAS 9 - Enredados nas Palavras - Dulce Maria Cardoso
- PERTINÊNCIAS 10 - H(á) Mercado - Brasa Doirada
- PERTINÊNCIAS 11
- PERTINÊNCIAS 12
- PERTINÊNCIAS 13 - Por Dentro do CHEGA
- Pertinências 14 - Epicuro e Epicurismo Por Gabriela Baião
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- Pertinências 16 - As Abelhas
- Pertinências 17 - O Papel do Jornalismo em Tempos Sombrios"
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- Pertinências 25 - Júlia Domingues e João Ventura
- Pertinências 26 - A Música na Feira do Lovro em Portimão 2926
- Pertinèncias 27 - O que é o Fado? e Há Fado na Lota (1)
- Pertinências 28 - 2ª noite de Há Fado na Lota
- Pertinências 29 - 3º noite de Há fado na Lota
- Pertinências 30 - 4ª noite de há fado na lota
- Pertinências 31 - 5ª noite de Há Fado na Lota
14 de abril de 2021
primaverou-se o cérebro 23
Vivendo na ilusão fui deixando crescer em mim esse sentimento que paralisou a minha capacidade de pensar. Íamos no barco à vela e eu ficava ruido de inveja não ser eu o que sabia de navegação. Era só o pau de vassoura que levava com a retranca na tola a olhar para ti distraído. Acho havia um acordo entre vocês e a retranca...
Eu era mesmo pequenino a pensar. Dizer que te gostava é coisa que eu não conseguia. Fazia filmes na minha cabeça, daqueles que víamos no Impala, nos lugares marcados de assinatura.
Sabes, eu acho o teu pai gostava de mim. A tua mãe também. Tu?! Nunca soube.
Era tão fácil dizer que te gostava e estranhamente me calei anos.
Recomeçadas as aulas e alegria de te ver todo o dia. Era feliz e sabia. Entristecia quando do alto da tua altivez me punhas num lugar de canto, às vezes sem falar, só mesmo de olhar.
Adolescente que queria ser adulto ao mesmo tempo. Baralhei emoções e criei revoluções sem ter largado os calções de ser eternamente criança. Eu era assim e ia fazer mais como?
13 de abril de 2021
primaverou-se o cérebro 22
Se eu fosse um erudito eu ia dizer que as árvores nascem em qualquer lugar menos no gelo e nos picos mais altos do mundo. Ao que me apetece juntar a pergunta se o amor por mim podia nascer em ti? Tem dias que a tua maneira séria de ser parece imperturbável a acontecimentos mundanos como o simples gostar de mim. Se eu insistir na minha presença perto de ti tu vais ver eu estou aqui ou não passarei de erva rasteira pisável? Se eu fosse filho de rico tu ias olhar para mim com olhos de ver?
Eu sei que minha mãe sai cedo para ir trabalhar, no mini que acho tem velocidade máxima de 30 e três mudanças para a frente e um filho para fazer a marcha-atrás. Depois deu eu tirar o carro da garagem lá ia para o meu posto de controlar descontrolar a minha linha de pensamento.
Era dia de alegria se por acaso tu fazia o simpático aceno de bom dia. Eu até pensava tu sabias eu gostar de ti.
12 de abril de 2021
primaverou-se o cérebro 21
E cada dia novo lá ia eu fazer a minha vigilância marcada à casa da vizinha.
Ela aparecia no quintal e eu rejubilava que até parecia tinha ganho a lotaria. Eu me dizia que estava a ser criança. Mas cada vez parecia era pior. Mais doía eu poder vê-la e não lhe dizer eu estava ali. Tenho a certeza que se ela soubesse deixava de aparecer no quintal ou na varanda. Só mesmo para me fazer sofrer, só mesmo para ver se eu me humilhava e mandava a minha dignidade às urtigas e lhe pedia de joelhos para ela não desaparecer da minha vista. O meu amor era o maior dos meus orgulhos. Amava-a para além dos meus limites e egoísmo.
Ela me era superior no olhar-me e não me ver, no saber de mim e desconhecer a minha existência. E eu amava-a cada vez mais.
Eu endivida-me de amor pois concentrava todo na mesma pessoa. Desvivi-me por completo. Foi um setembro que era uma tortura negra.
Sanzalando
11 de abril de 2021
primaverou-se o cérebro 20
E passado Agosto e ouvi a mini-honda a andar. Corri na janela e e lhe vi entrar na casa nova. Finalmente ela tinha chegado. Ela estava ali no palmo do meu olhar. Estremeci e cantei-me uma canção de alegria.
E agora como caio de casa? Lhe perco de vista e eu sei o que é que isso me custou.
Na verdade eu tenho medo de lhe amar de amor verdadeiro como essa doença que eu tenho. Como é que eu posso evitar? E agora ainda por cima morando ali mesmo ao lado. Tu, charmosa e quase perfeita, única ao meu olhar, quase me pareces dizer para te amar. Ordenas-me amor.
E eu, com tanto medo que nunca fui capaz de te o dizer. Não sou suficiente alguém para te dizer, para te gostar. Tanto problema para mim.
Eu só tenho é vontade de estar contigo. Agora como é que vai ser a minha vida para além desta luta perdida desde antes de ter começado?
10 de abril de 2021
9 de abril de 2021
primaverou-se o cérebro 19
E os dias se sucediam e ela não vinha morar para a casa nova. Chegou Agosto e para meu desgosto, pela primeira vez na minha vida, eu não tinha vontade de subir no planalto e gozar as minhas férias. Só podia ser doença.
Contrariado lá fui, fazendo uns interlúdios com a minha rádio de sempre, ao mesmo tempo que vagabundava o corpo por zonas anuais e habituais. As mapundeiras desligavam-me eu não lhes ligava, estava amarrado a cais seguro, dizia-me eu mesmo. As férias eram um pesadelo, um arrastar de tempo. Quem havia de dizer que eu me desmentia do resto da minha passada vida? Como são as coisas.
Na verdade toda a gente sabia desta minha desesperada doença menos ela, claro. Se ela soubesse eu ia fugir nem que fosse dar a volta ao mundo. hummm...
8 de abril de 2021
primaverou-se o cérebro 18
Certo é que melhorei a minha relação comigo. Esplanada reduzida, bilhar quase a acabar, cigarros mantinha ou aumentava conforme a ansiedade da janela ou varanda. E ela não havia maneira de aparecer. Até parece eu fiz um curativo que não deu certo, um sangrar que não pára, uma ferida que se reabre a cada espreitadela. Todos os dias de um mês foi assim, acordar e ver se era o tal hoje que eu ansiava. Achei que se eu me tivesse atirado duma falésia ia doer menos que tanto amor em espera.
Era amor, eu sei.
As férias tinham começado e os dias se seguiam e eu não a via, nem nos passeios de fim de tarde.
Que é que aconteceu? Me perguntei umas tantas vezes por minuto.
Hoje sei , foi amor mesmo.
Na esplanada da Oásis já todos brincavam comigo. Eu deixava transparecer o meu estado. Inacreditavelmente eu caía rendido ao coração.
7 de abril de 2021
primaverou-se o cérebro 17
E assim foi a minha vida missionária. Curta, rápida e sorridente, porém aprendi a passar Certidões de Nascimento a quem tenha sido baptizado e que a paróquia tinha um registo muitos completo dos nascidos naquela pequena e bela cidade que me dera abrigo depois de me terem obrigado a nascer num planalto uns quilómetros acima.
Foi depois desta minha incursão na vida religiosa, iniciada primeiro pelo santo sacrifício da saída da missa e depois por participação activa na vida da igreja que tantos dias passei a sonhar com minha futura vizinha, a ver-te no meu mundo estrelado, no brilho do meu sol, na minha realidade imaginária, na minha vida futura, mesmo que não tivesse coragem para te dizer estas coisas.
E pinta dali, descarrega mais isto, e arranca mais aquilo e tu não vinhas. A minha varanda passara a ser um miradouro onde eu passava as santas tardes que outrora gastara na esplanada ou numa mesa de bilhar. Era um miradouro virado para o vazio visual.
6 de abril de 2021
primaverou-se o cérebro 16
E tua não havias modo de aparecer. Descarregar mobília, trazer coias, mas pessoas ainda nada. Eu me pensei que fui só enganado a ouvir o que queria ouvir e não a ouvir o que de verdade disseram.
Eu ali te esperava, eu pensava tinha tanto para te dizer e não sei se sabia as palavras ensaiadas tantas vezes na minha cabeça. Eram doces as minhas palavras. Eram música os meus pensamentos. Era tremideira o meu corpo.
Eu tinha tanto para te dizer nas boas vindas à rua novamente movimentada que não sei se tinha palavras para dizer o tamanho do sentimento que eu sentia.
Ainda hoje, tão longe daquele tempo, eu consigo ver os meus lábios ficarem colados e calados por falta de palavras que queriam vir para a rua. Mas isso é hoje e eu ainda estou lá, na minha cidade Real com uma vontade enorme de fugir para a minha cidade Solidão.
De todos os meus péssimos defeitos até às minhas melhores qualidades o que eu sempre detestei foi ser desgostado. Eu te gostava e muito e não sabia o teu gosto por mim. Acho eu te desgostava dessa forma de amor que eu pensava existir em nós.
Por uns agoras fugi para a minha cidade Solidão, escondendo-me da ansiedade de te ver chegar, de me afastar dos tropeços mentais que as minhas pernas sentiam ao caminhar por frente à tua futura casa a ver se tu já lá estavas. Eu precisava de te sentir ou ver.
Aqui refugiado eu revi onde tinha falhado. Desde a casa da praia de que me lembrava vagamente de uma ou outra coisa sem conseguir pôr num calendário em ordem até aos dias daquele hoje eu me revi a ver as falhas. Eram muitas mas não merecedoras de tantos não. Ajudei na missa ao senhor padre até me convidar a não voltar quando uma vez eu tropecei no fato que me vestiram e era comprido e a água e o vinho se espalharam no altar e eu ria que parecia estava a ver um filme do Charlot. Tanto ri que o padre Noronha com a voz parecia era trovoada me disse sai e eu sai para não mais voltar.
Sanzalando
5 de abril de 2021
primaverou-se o cérebro 15
Eu só podia dizer, visto daqui neste agora, eu estava doente de amor. Já não era choro de alguns dias, já não era saudade de uma noite. Era mesmo paixão de caixão a cova. Eu tinha uma enfermidade. Só podia.
Deitava-me a pensar nela e ao acordar eu lhe olhava na minha imaginação espelhada na memória e me sorria feliz. Tinha ganho uma noite para o resto da minha vida. Era assim a minha felicidade matinal. Com rigor me preparava para ir para o liceu e aí sim podia usufruir dela, da imagem dela em tempo real e verdadeira.
A minha vida, caótica e desajeitada estava a dar lugar a uma arrumação até por mim duvidada. Estava com a cabeça em ordem. Tinha encontrado a minha porta para o céu nos teus braços. Minha timidez e o meu medo me impediam de te dizer. Te olhava e te admirava.
Um dia, após tantos de admiração e perseguição de olhares e saberes de onde estavas e por onde passavas, me disseste sorrindo que ias mudar para a casa ao lado da minha.
Nesse dia, tu não sabes, deixou de haver tempestades, infernos ou fantasmas. Eu, acho agora, encontrei a felicidade. O meu corpo sofreu um tremor de interiores que nunca mais teve reparação possível. Eu encontrei a porta para a eternidade, pensava eu.
Quando comecei a ver a movimentação de mudança, a rua que passara a estar deserta em fim de tarde reabriu-se ao publico. Já não havia esplanada ao fim de tarde. Já não havia bilhar nem perde paga. Eu regressei à minha rua. Rejuvenesci a minha rua porque trouxe o Douglas, Fonsecas os Martins todos para a rua outra vez. Qual Fénix qual quê?! Fui eu quem regressou à vida e a minha rua veio comigo.
4 de abril de 2021
primaverou-se o cérebro 14
Assim fui passando a idade de aprendizagem. Idas aos liceu onde passei a ser até bom aluno. Tendo levado porrada por ter dispensado do exame do 5º ano. Sério.
Cheguei em casa e mãe perguntou:
- Saíram as notas?
- Sim. Dispensei de exame! respondi secamente ao mesmo tempo que fui para o meu quarto deixar as lágrimas saírem pela cara, mais uma vez por coisas de coração. Ela me disse que eu não tinha ficado no Quadro de Honra e ela sim. Me deu uma tristeza que até hoje ainda dói só de lembrar.
Minha mãe não sei que é que pensou, se meteu no carro e foi no liceu confirmar. Eu não adivinhei, só dei por ela quando ela entra no quarto passado algum tempo e me deu uma chapada com as suas lágrimas de pensar que eu a tinha enganado.
Mas tristeza durou como sempre, aquele tempo necessário para eu ir na Oásis e jogar bilhar.
Mas quando é que foi que eu disse que lhe gostava? Nunca. Porque é que ela me ia atirar assim do Quadro de Honra? Descompreendi. Eu lhe devia dizer que não conseguia viver sem lhe ver mas apenas virei as costas e fui para casa chorar.
Com tantos planos para a uma vida, logo eu iria fazer um para mim que passasse por ela. Escrevi Cafrondi, mais uma sebenta vermelha de poemas meus que lhe fiz e por acaso lhe dei. Nunca percebi onde lhe fui buscar o nome mas de certeza eu queria dizer me confundi e lhe entreguei sem fazer cópia ou saber se quer o que estava a fazer. Dei com sentido amor. Só de dar.
Podia ter passado aquela fase de aprendizagem sorrindo, disfrutando os momentos de grande alegria, amar o mundo num todo e não só numa menina que não adivinhava que eu gostava dela. As outras eu esqueci e não sei me esqueceram ou não. Perdi o máximo para tentar conseguir ser feliz com aquele mínimo.
Afinal de contas a vida é isso, um capítulo de cada vez. Eu ia aprendendo sem ter usado o piloto automático. Era no físico mesmo, nas mágoas e cicatrizes da alma ferida neste combate desequilibrado. Eu perdia, para variar.
3 de abril de 2021
primaverou-se o cérebro 13
E conforme iam subindo as hormonas, o pelo da barba aparecendo em várias mesas de sueca como pequenos tufos imberbes, a cabeça foi-se ajuizando no conjunto de regras quase leis mentais e a voz foi-se adultizando que até já conversava com mais velhos sem ser das futilidades do dia a dia.
A esplanada continuava a seu esse pequeno defeito assim como as partidas de bilhar a seguir ao almoço. Mais velhos batotavam e os mais novos em alta berraria jogavam ao perde paga ou a pino.
E nesta amalgama de crescimento e ajuizamento foi-se acrescentando um coração lacrimejante de amor. Nada de anormal para a idade, digo agora eu. Mas na altura eram tempestades mentais que me levavam a fugir para cidades várias, desde a Imaginação e à de Fantasma, bem como outras de menor dimensão e menos populosas e expressivas no divagar da vagabundagem mental. Tudo parecia correr mal. A água salgada que chorava em silêncio eram de dor silenciosa, uma dor de sabor a mar. Na verdade era uma semana de paixão e de dor, alternando com alegrias tintas. Cada vez mais dizia-me que assim, solitário e obscuramente apaixonado, era um modo de vida que eu tinha escolhido. Mas mal sabendo que esse amor não era correspondido todo o castelo de defesa se desmoronava tal qual um castelo de cartas e lágrimas. Assim eu tinha decido que jamais compartilharia o meu coração com quem quer que fosse. Uma semana durava a jura. Entregava de bandeja o meu coração e não calhava à correspondência. Afinal de contas eu queria dar mas desconseguia entregar o coração a quem quer que seja.
O crescimento devia ter sido travado porque um homem não devia sofrer assim. Pensava eu todas as noites, mas todas as manhãs lá voltava a sofredora normalidade. Será que amarei assim perdidamente sem correspondência ao longo da minha longa vida? Tantas vezes este pensamento ocupava as minhas horas cada vez menos livres.
Passei a ser bom aluno e trabalhava. O mais jovem operador de som e com futuro promissor, poenta e sofredor. Tanto verso chorado, tanta canção serenatada nas noites de luar. Eu não cantava, eu servia de osso no caso de haver cão. As violas eram do Amorim e Mané VP. Eles eram josé Afonso, Adriando Correia, Sergio Godinho, eu mesmo, e deslembro mais quem.
2 de abril de 2021
primaverou-se o cérebro 12
Mas o tempo passado com os mais velhos no Rádio Club bem como o lidar com gente crescida fora daquele bando esplanado numa pastelaria dia e noite começaram por dar uma maturidade que se ia vendo a olhos de ver.
As regras assim por um acaso foram desabrochando dentro da cabeça, travando a imaginação e apagando fantasmas, criando hábitos até então completamente desconhecidos. O bicho do mato que fazia o que queria passou a ter um certo cuidado até no vestir e falar, no comportamento e no estar. Grande volta até à volta grande.
Quem diria que o filho-da-lavadeira ia ser gente de falar e cumprimentar?
No liceu comecei a modificar toda uma série de coisas desde a não ter ausências até a captar as ordens imanadas dos profes. Quem haveria de dizer. Mãe estranhou e até começou a ficar preocupada com o que ela estava a vislumbrar. Filho se mudou.
1 de abril de 2021
Primaverou-se o cérebro 11
Mas estas estórias apenas fazem parte dum espólio delas que muito contribuíram para o vagabundo que se estava a formular naquelas cadeiras e agarrado aquele taco que espirrava por falta de gis. Tantas horas ali desconversadas, tantos contos, fábulas e exageros ali ouvidos
Depois de passar umas semanas a vender fruta na quitanda da Laurinda ou de revelar fotografias tipo passe na casa de fotografias que o Bauleth montou por trás da casa das noivas e cujo o fotografo e único empregado me esqueci do nome. Fruto de não usar a memória nas tertúlias dos agora mais velhos que na altura presenciaram essa minha revolução hormonal e evolucional.
Por mais que eu tentasse não passava dum transparente da minha cidade. Desnotado e desqualificado por todos, porém qualificado de muito ajuizado por alguns pais a quem sempre mostrei muita educação e cordialidade. Era um doce de moço escondido atrás duma enorme timidez e duma raiva supergrande de não ser realmente grande.
Os poemas de amor e lágrimas escritas na Sebenta de capa vermelha, que deram algumas músicas cantadas pelo Amorim e Manel VP, que até passavam na rádio quando eu estava de serviço, escondiam esse sede de ser grande por coisas bem feitas, enquanto o vadio e faltoso do liceu ia progredindo na esplanada da Oásis e mesas do AeroClub.
Pequenos dragraus que poderiam dar para qualquer lugar ou virtude
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