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A Minha Sanzala: vou em direcção ao mar
recomeça o futuro sem esquecer o passado

19 de novembro de 2010

vou em direcção ao mar

Vou em direcção ao mar. Ainda não lhe vejo nem lhe ouço mas sinto-o. Acho eu. De tantas vezes fazer este caminho já não sei se os meus passos caminham num carreiro que já deve estar gasto ou se cada dia invento um caminho novo. Baralho-me pela repetição da memória martelada até a exaustão, confundo-me com a ansiedade de ver amanhã que não é o hoje que eu vi ontem, tropeço no esquecimento das palavras que não soletrei. Vou só mesmo em direcção ao mar porque ele fica a sul. 
Foi pertinho do mar, me recordo como fruto da minha imaginação, que te dei o primeiro beijo. Único? Que importa, se o que interessa é que eu dei, mesmo que seja só de fingir. Sei que foram beijos de silêncio. Com aquela idade eu ia dar mais beijos como? Mas importante é que eu me lembro, mesmo que seja uma memória recente que nem meio século tem. Ou tem? Já me está a faltar memoria? Não. É só mesmo lapso que a minha garganta de tanto falar já tropeça nela mesmo.
Mas vou em direcção ao mar porque é no mar que tenho as tuas cartas escritas na letra mais audível da minha imaginação. 
Mesmo cambaleando sigo como sigo quase todos os dias a ver o mar. Eu acho fui feito no mar mesmo que tenha nascido lá em cima que até dá vertigens. Mas no mar eu me sinto eu.

Sanzalando

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