Caminho à tua frente e te falo. Sigo a caminhada que um dia me vai lá levar. Demore o tempo que demorar, eu caminharei para lá chegar. Cedo ou tarde o meu destino é chegar, e enquanto não chego falo-te as minhas palavras, as minhas frases.
Eu sei que há várias classes de palavras. Umas são as que subentendem ideias, as soltas, as que são anotações do momento, as palavras efémeras, as ininteligíveis, as labirínticas onde me escondo de te reencontrar, as que ficam subentendidas, as que deixam tudo em aberto e as que se fecham em cadeados, as encandeadas de luminosidade e graça. Depois há as palavras que são ditas em todos os lugares, que se dizem com certo ar de ritual, as palavras finais ditas com devoção, as que são ditas num contra-relógio com medo de perder o tempo, as que se dizem em forma de leitura.
Eu falo-te todas estas palavras numa salada de ideias, numa verdade que mesmo que não tenha sido verdadeira não o deixa de ser.
Eu te falo com a ideia de não ser unidereccional mas sim plurisignificativo porque te faço seguir um caminho em que te reconheces nas passagens e nos postais falados.
Falo-te porque me ouves aquilo que te apetece ouvir, para além do marulhar do zulmarinho. que te sossega a alma.
Sanzalando
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