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A Minha Sanzala: Estranho dia este
recomeça o futuro sem esquecer o passado

12 de maio de 2007

Estranho dia este

Sento-me na areia das mil cores e te vejo ao meu lado. Eu espero que as palavras saiam da minha boca directas ao teu coração. Tu esperas ouvi-las e depois não sei nem o que fazes com elas. Falo-te sem saber previamente o que te digo, sei apenas o que sinto, as lágrimas que querem sair, as incoerências das minhas palavras com a minha alma.
Bebo uma birra loira estupidamente gelada para me refrescar a voz,
Levanto-me, dou uns passos, tento apagar as lágrimas, tento esquecer que sinto o coração a bater. Procuro as palavras no silêncio do que penso. Segues-me calada, silenciosamente presente.
Olho à minha volta. Continuo a sentir-me um estranho dentro de mim, um provisório eu que busca o inicio do zulmarinho como quem procura a arca perdida do tempo.
Escondo-te a minha cara porque não quero que a minha própria sombra me veja com a cara as escorrer pequenas gotas de zulmarinho.
Estranho dia este!
Volto a sentar-me, olho para a linha recta que é curva como quem se vê ao espelho, espero que volte a tranquilidade. As palavras saíem enroladas na emoção, nó na garganta que parece até é filtro a lhes querer condicionar o significado.
Olho-te, cinzentamente deitada ao meu lado, desenhando todas as irregularidades da areia das mil cores como que com paciência à espera dos meus sons.
Passa o tempo, as palavras são silêncios, os pensamentos se atropelam numa movimentada avenida criando um engarrafamento de ideias, a dor bate devagar nas paredes do coração e tu ficas com o meu silêncio de um dia de nostalgia e saudade.


Sanzalando

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WebJCP | Abril 2007