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A Minha Sanzala: No silêncio das palavras
recomeça o futuro sem esquecer o passado

19 de abril de 2007

No silêncio das palavras

Hoje preferes estar sentada a ver o zulmarinho se embalando num vai e vem interminável? Pois fiquemos então aqui sentados nesta areia de mil cores, olhos postos no lá longe como quem quer ver mais mas ao mesmo tempo quer viajar ao sabor do pensamento sem esforço e canseiras.
Como sabes, numa coisa que parece anormal, eu quando acordo a primeira coisa que penso é nela. É ela que me vem à cabeça na coincidência de abrir de olhos. Há assim como que um segundo para me localizar. Depois durante o dia não me sai o ela de agora, o ela actual e não o ela dos tempos da maria-cachucha. Durante o dia procuro não perdê-la da vista e à noite lhe vejo como que se estivesse à luz das velas. Vais dizer é obsessão e eu te respondo que é a maneira de estar vivo, é a maneira de andar na minha verticalidade, a maneira de esperar o amanhã com um sorriso nos lábios.
Quando estou aqui sentado eu lhe sinto a brisa, a frescura do cacimbo, a quentura das suas gentes. Aqui sentado eu lhe ouço os pregões e lhe vejo os movimentos. Aqui tem momentos em que eu quero ficar mudo num silêncio de ver mais nítido, de sentir mais sentido. Daqui as cores garridas são mais tropicais, a sua luz me fere o tacto de não lhe poder tocar.
Por tudo isto tem dias em que prefiro ficar aqui sentado no silêncio das minhas palavras.

Sanzalando

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WebJCP | Abril 2007